
METABOLISMO ÓSSEO, REPOSIÇÃO
HORMONAL E "UM PARADOXO NUTRICIONAL"
Neste
número do Jornal da ASSEX começarei comentando dois artigos
extremamente interessantes publicados recentemente, envolvendo
metabolismo ósseo. Embora já extensamente discutido, vale
a pena também uma olhada nas recomendações da "U.S. Preventive
Services Task Force (USPSTF)" a respeito de reposição
hormonal. Finalmente, um pequeno editorial chamou nossa atenção,
principalmente por citar diretamente nosso país.
JAMA 2005;293:2257-2264
No primeiro artigo, o Dr. Heike A. Bischoff- Ferrari realizou
uma meta-análise para investigar os efeitos da suplementação
de vitamina D nos idosos, na prevenção de fraturas. Os autores
demonstraram que, enquanto a dose de 800 UI diárias de vitamina
D esteve associada a uma redução de quase 25% no risco de
fraturas, a dose de 400 UI não pareceu trazer qualquer benefício.
Além disso, o risco de fratura foi menor em pacientes com
maiores concentrações plasmáticas de 25-hidroxivitamina D.
Embora seus resultados ainda não sejam totalmente concretos,
talvez seja a hora de rever a dose de vitamina D utilizada
por nossos pacientes.
J Clin Endocrinol Metab 2005;90:3153-3161
Num outro extremo, a Dra. Ann Prentice investigou
os efeitos da suplementação de cálcio em
adolescentes do sexo masculino entre 16 e 18 anos.
Os autores demonstraram que a utilização de uma
suplementação com 1000 gramas de cálcio esteve
associada a um aumento da massa óssea e a um
pequeno acréscimo na estatura fi nal. Embora não
seja possível ainda defi nir o impacto deste estudo, a
suplementação de cálcio em adolescentes pode vir a
trazer diversos benefícios no futuro, principalmente
na prevenção da osteoporose.
Ann Intern Med 2005;142:855-860
Embora inúmeras discussões a respeito da
terapia de reposição hormonal possam ser
encontradas na literatura, um artigo recentemente
publicado merece especial consideração. Mais do
que uma simples revisão, o "U.S. Preventive Services
Task Force (USPSTF)" publicou ofi cialmente as
recomendações a respeito do tratamento da mulher
na menopausa. Através de uma extensa revisão de
literatura, os autores classifi caram as recomendações
conforme o grau de evidência científi ca. De
uma maneira geral, a USPSTF não recomenda a
utilização de terapia combinada de estrogênio e
progestágeno como prevenção de doenças crônicas
em mulheres na menopausa. Além disso, os autores
também não recomendam a utilização de estrogênio
isoladamente em mulheres histerectomizadas. NEJM 2005;352:1514-1515
Embora seja apenas um editorial, o Dr. Benjamin
Caballero conseguiu fazer uma excelente discussão
a respeito do que ele intitulou "Um paradoxo
nutricional". Através de poucas palavras, o autor
consegue apresentar um panorama geral sobre a
existência mútua de obesidade e desnutrição nos países
em desenvolvimento, discutindo desde aspectos
culturais e genéticos até mesmo o papel do governo
nesta estranha relação. voltar
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