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METABOLISMO ÓSSEO, REPOSIÇÃO HORMONAL E "UM PARADOXO NUTRICIONAL"

Rodrigo O. MoreiraNeste número do Jornal da ASSEX começarei comentando dois artigos extremamente interessantes publicados recentemente, envolvendo metabolismo ósseo. Embora já extensamente discutido, vale a pena também uma olhada nas recomendações da "U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF)" a respeito de reposição hormonal. Finalmente, um pequeno editorial chamou nossa atenção, principalmente por citar diretamente nosso país.

JAMA 2005;293:2257-2264
No primeiro artigo, o Dr. Heike A. Bischoff- Ferrari realizou uma meta-análise para investigar os efeitos da suplementação de vitamina D nos idosos, na prevenção de fraturas. Os autores demonstraram que, enquanto a dose de 800 UI diárias de vitamina D esteve associada a uma redução de quase 25% no risco de fraturas, a dose de 400 UI não pareceu trazer qualquer benefício. Além disso, o risco de fratura foi menor em pacientes com maiores concentrações plasmáticas de 25-hidroxivitamina D. Embora seus resultados ainda não sejam totalmente concretos, talvez seja a hora de rever a dose de vitamina D utilizada por nossos pacientes.

J Clin Endocrinol Metab 2005;90:3153-3161
Num outro extremo, a Dra. Ann Prentice investigou os efeitos da suplementação de cálcio em adolescentes do sexo masculino entre 16 e 18 anos. Os autores demonstraram que a utilização de uma suplementação com 1000 gramas de cálcio esteve associada a um aumento da massa óssea e a um pequeno acréscimo na estatura fi nal. Embora não seja possível ainda defi nir o impacto deste estudo, a suplementação de cálcio em adolescentes pode vir a trazer diversos benefícios no futuro, principalmente na prevenção da osteoporose.

Ann Intern Med 2005;142:855-860
Embora inúmeras discussões a respeito da terapia de reposição hormonal possam ser encontradas na literatura, um artigo recentemente publicado merece especial consideração. Mais do que uma simples revisão, o "U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF)" publicou ofi cialmente as recomendações a respeito do tratamento da mulher na menopausa. Através de uma extensa revisão de literatura, os autores classifi caram as recomendações conforme o grau de evidência científi ca. De uma maneira geral, a USPSTF não recomenda a utilização de terapia combinada de estrogênio e progestágeno como prevenção de doenças crônicas em mulheres na menopausa. Além disso, os autores também não recomendam a utilização de estrogênio isoladamente em mulheres histerectomizadas.

NEJM 2005;352:1514-1515
Embora seja apenas um editorial, o Dr. Benjamin Caballero conseguiu fazer uma excelente discussão a respeito do que ele intitulou "Um paradoxo nutricional". Através de poucas palavras, o autor consegue apresentar um panorama geral sobre a existência mútua de obesidade e desnutrição nos países em desenvolvimento, discutindo desde aspectos culturais e genéticos até mesmo o papel do governo nesta estranha relação.

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