
DIA DO MÉDICO
Comemoramos o Dia do Médico em 18 de outubro. Por que fazê-lo?
Qual sua importância no desenvolvimento da sociedade? Permitam-me
algumas divagações, já que gosto de História da Medicina. A seguir, a
exposição sobre o tema na Sociedade de Medicina e Cirurgia.
Parece
ter sido no berço do mundo, a Mesopotâmia, que surgiram as
primeiras pessoas a ensinarem regras de curar aos então chamados
físicos. Pouco precisas são as datas que as fazem comparar
com a escola chinesa, onde observações levaram à descrição
de uma doença porque as formigas apreciavam o sabor da urina
dos pacientes. Daí muitas outras observações. Os médicos chineses
desenvolveram enorme senso de observação, pois só podiam tomar
o pulso de suas pacientes. Era proibido que se desnudassem
e levavam bonecas, onde mostravam os pontos dolorosos. Obviamente,
as bonecas variavam da mais fina porcelana à mais rudimentar
estopa. Na Índia havia uma enorme preocupação com a contracepção,
para livrá-los das liberdades do Kama-Sutra. Paradoxalmente,
e certamente como conseqüência, aí surgiram os maiores especialistas
em rinoplastia, já que o adultério era punido com o corte
do nariz. No Egito, na época dos faraós houve um grande desenvolvimento
da Medicina e de todas as ciências. Lá surgiram os primeiros
procedimentos cirúrgicos, utilizados nos processos de mumificação,
e que desapareceram com o fim da era dos faraós, com as invasões
pelos povos vizinhos - os namíbios e os árabes.
Capacidade de Observação - Os documentos
escritos desapareceram com o incêndio da biblioteca de Alexandria.
Hoje só temos hieróglifos e a população não árabe (egípcia
de origem), os coptas, que não passam dos 10%. Surgem, então,
os primeiros sinais de uma Medicina, com as Escolas de Esculápio
e o Templo de Hipócrates. A capacidade de observação destes
indivíduos era fantástica. Um dos 421 aforismas hipocráticos
nos ensina que "as mulheres que lactarem sem haverem gestado,
não menstruarão" - era a síndrome hiperprolactinêmica descrita
300 anos depois. Surgem, então, os primeiros relatos mais
precisos, formam-se centros de ensino de Medicina e núcleos
de atividades cirúrgicas, conseqüências da cura de ferimentos
ocasionados pela guerra. Multiplicam-se os Centros de Medicina
por toda a Europa, ficando os de cirurgia ligados aos barbeiros,
tendo Luiz XVI dado título de Kirurgeon a seu barbeiro, pelo
tratamento de uma fístula anal. D. João VI, por ocasião de
uma epidemia em Portugal, autoriza 50 cirurgiões a agirem
como se médicos fossem. Até hoje, na Inglaterra o médico é
doutor e o cirurgião é mister. Porém, somos todos irmãos.
Erro Médico -
Também fomos fiscalizados. No Egito, o médico era enterrado
junto com o doente cujo tratamento fosse considerado errado. Na
Grécia, se o médico não fosse achado (não havia a praga do celular!) poderia
ter suas mãos cortadas. O código de Hammurabi, o mais completo, permitia
cortar as mãos, cegar ou até mesmo cortar as mamas de uma mulher
que amamentasse uma criança que não fosse seu filho sem autorização do
marido.
Por que, então, na Sociedade de Medicina e Cirurgia só comemoramos
o Dia do Médico? Vamos comemorar o dia do médico e do cirurgião.
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