
DISFUNÇÃO
TIREOIDIANA SUBCLÍNICA, MURAGLITAZAR E ANDROPAUSA
JAMA
2005;294 :2581-2586
Vou
começar a coluna desta edição comentando
um artigo que causou grande impacto na endocrinologia nos
últimos meses. O Dr. Steven E. Nissen e colaboradores
publicaram os resultados preliminares envolvendo eventos cardiovasculares
relacionados ao uso do muraglitazar, um agonista PPAR-a e
? (“Effect of muraglitazar on death and major adverse
cardiovascular events in patients with type 2 diabetes mellitus”).
Por se tratar de um medicamento com ações benéfi
cas tanto sobre resistência insulínica (PPAR-?)
como perfil lipídico (PPAR-a), era de se esperar que
sua utilização reduzisse a incidência
de doenças cardiovasculares. Os achados, entretanto,
foram justamente o oposto. O uso do muraglitazar esteve associado
a um aumento na incidência de eventos cardiovasculares
(infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral
e ataque isquêmico transitório), além
de insuficiência cardíaca congestiva. Embora
os mecanismos ainda sejam indeterminados, os autores concluem
o artigo sugerindo que o medicamento não deve ser utilizado
em pacientes diabéticos até que sua segurança
seja comprovada.
J Clin Endocrinol Metab 90(9):
5483-88 .
Para aqueles que gostam de tireóide, particularmente
das controvérsias envolvendo o hipotireoidismo subclínico,
dois artigos publicados no mês de setembro na seção
“Controversy in Clinical Endocrinology” merecem
destaque. No primeiro artigo, o Dr. Leonard Wartofsky e colaboradores
discutem a necessidade de se diminuir o ponto de corte do
TSH para o diagnóstico de disfunção tireoidiana
subclínica (“The evidence for a narrower thyrotropin
reference range is compelling”). Os autores acreditam
que a utilização de um ponto de corte de 2.5
um/litro refl ita mais adequadamente a normalidade e permita
a identifi cação mais precoce de pacientes que
possam vir a necessitar de terapia com levotiroxina. Por outro
lado, o Dr. Martin I. Surks e colaboradores, na mesma edição,
discutem o ponto de vista completamente oposto (“The
thyrotropin reference range should remain unchanged”).
Os autores acreditam que os limites de detecção
do TSH não devem ser alterados e que a diminuição
destes valores levaria a um grande número de pacientes
tratados sem necessidade,
com um custo aparentemente desnecessário. É
interessante notar que ambos os artigos apresentam fortes
argumentos a seu favor e que muita pesquisa ainda é
necessária antes que um consenso seja atingido.
Endocrine Reviews 26(6 ): 833-76
.
Outro assunto que ainda é extremamente controverso
é a andropausa. Ainda não existe um consenso
sobre a reposição hormonal em homens com diminuição
dos androgênios e os riscos e benefícios ainda
são discutíveis. Para os interessados no
tema, o Dr. Jean M. Kaufman e colaboradores publicaram recentemente
uma excelente revisão sobre o assunto, passando desde
a fi siologia até as implicações clínicas
e tratamento (“The Decline of Androgen Levels in Elderly
Men and Its Clinical and Therapeutic Implications”).
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