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"O RESIDENTE NÚMERO 1 DO INSTITUTO"

O Dr. Ney Cavalcanti conta, nesta entrevista, sua trajetória do Centro de Diabetes até a criação do Instituto, em 1967, ao lado de alguns dos nomes mais importantes da endocrinologia brasileira de hoje.

Por Beth P. Santos

Dr. Ney CavalcantiCorria o ano de 1965 quando o futuro Dr. Ney Cavalcanti, de Recife, PE, ouviu de seu professor de clínica médica, Amaury Coutinho, que o Rio de Janeiro possuía “o melhor serviço de endocrinologia do Brasil”. Naquela época ele se chamava Centro de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione.

Graças ao empurrãozinho do professor Coutinho, em 1966 o jovem recém-formado chegou ao embrião do IEDE sem saber que iria fazer parte da história do Instituto. “Naquela época o Centro era bastante pequeno e eu fui o primeiro residente”. Quando, no final de 1967, o então Governador Negrão de Lima assinou o Decreto 987, que rebatizava o Centro de Diabetes e Endocrinologia como Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, o Dr. Ney Cavalcanti já estava lá. “O Póvoa costuma dizer que eu sou o número 1”, comenta.

Uma Verdadeira Luz

Como único residente do Centro e depois do Instituto, ele trabalhava muito, “tanto na enfermaria de endocrinologia quanto na de diabetes, do professor Arduíno, uma pessoa muito importante na minha formação”.

Ajudando o trabalho nas enfermarias estavam também alguns alunos da graduação, como Maurício Barbosa Lima, Julio Foster, Leão Zagury. “Foi um período de muito trabalho, muito importante na minha vida’, recorda. ‘Importante não só do ponto de vista técnico. Aprendi também a fazer trabalhos científicos e os princípios éticos da profissão. Aquele período, de um ano e meio, foi uma verdadeira luz na minha vida profissional”. Ao retornar para Recife iniciou carreira acadêmica e há quase 35 anos é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de PE. É também vice-presidente norte/ nordeste da Sociedade Brasileira de Diabetes, entre outras atividades que exerce.

As Amizades

Quando se trata de lembrar das amizades feitas, O Dr. Ney não pensa duas vezes: “o primeiro foi o Povoa, meu querido amigo até hoje”. Sim, ele se refere ao Dr. Luiz César Póvoa como “Povoa”, carinhosamente sem acento. Orgulhoso do amigo, diz que naquela época “ele estava despontando para se tornar o grande profissional e o grande formador de pessoas”. E cita outros amigos: os Drs. Maurício, Julio e Zagury, companheiros de trabalho nas enfermarias; e Pietro Novelino, Neidson Miranda, Ricardo Meirelles (“de uma época um pouco posterior”), Amélio Matos (“que foi meu aluno na Universidade de Pernambuco”). Todos considerados “amigos queridos”. Confessa ainda ter saudades “dos que já se foram”, como os Drs. José Scherman e Jaime Rodrigues. Faz questão de citar também o amigo Rogério de Oliveira, com quem fez, em 1966, a primeira colônia de férias do Brasil para pacientes diabéticos.

Às mulheres ele reserva um comentário sobre a beleza das colegas Amanda Athaíde e Nely Davidowich, e o sucesso que faziam. Sobre a Dra. Amanda, diz que “ela foi e é uma profissional muito competente, além de uma boa amiga”.

Efeitos Multiplicadores

Sobre o professor Arduíno, Dr. Ney lembra que era um “razoável” leitor de seu livro. Nas aulas do mestre, o aluno se exibia citando trechos e número de páginas. “Ele ficava muito impressionado”, diverte-se. Mas explica que, na época, havia poucos livros sobre diabetes. “O dele deve ter sido o primeiro em português sobre o assunto”.

Como lembrança puxa lembrança, Dr. Ney recorda que naquela época existiam duas grandes escolas de endocrinologia: “a Escola Paulista, que publicava mais que o Rio, e o IEDE, que se destacava na formação profissional, no produzir profissionais para atendimento médico”. Segundo Dr. Ney, “isso explica porque há alunos do IEDE em todo o Brasil, que tiveram efeitos multiplicadores”.

Uma das lições que diz ter aprendido no Instituto foi a importância do trabalho em equipe. “Tenho orgulho de ter colaborado na formação de dezenas de endocrinologistas, alguns deles importantes na endocrinologia brasileira”, comenta. Ele relembra que já encaminhou vários profissionais para o IEDE, como José Martins,
Vera Galamba, Mônica Oliveira e outros.

Encontros do IEDE

Segundo o Dr. Ney Cavalcanti, os Encontros do IEDE são, além dos congressos da especialidade, as grandes ocasiões de contato direto com os antigos companheiros.
Ele confessa, no entanto, que há algum tempo não freqüenta o evento, pela data muito próxima aos festejos de fim de ano. No fim da entrevista, Dr. Ney Cavalcanti mostra preocupação com a possibilidade de omitir algum nome importante. “Estou comemorando 40 anos de formado e são muitas as recordações...”, comenta. E arremata bem humorado: “Mas ficar velho é a melhor coisa do mundo. Até porque a segunda opção é um desastre!”.




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