
DOENÇA
TIREOIDIANA NA SUBCLÍNICA, OVÁRIOS POLICÍSTICOS E DIETA
JAMA 2006; 295:1033-41
Começando a coluna desta edição, vale a pena comentar sobre
um dos assuntos mais discutidos no momento: a doença tireoidiana
subclínica. No trabalho publicado pela Dra. Anne Cappola e
cols ("Thyroid Status, Cardiovascular Risk, and Mortality
in Older Adults"), os autores observaram alguns resultados
interessantes em pacientes idosos. Dentre os principais achados,
foi novamente confirmado que a presença de hipertireoidismo
subclínico mostrou-se associada à fibrilação atrial. Por outro
lado, a presença de hipotireoidismo subclínico não se mostrou
associada a aumento do risco cardiovascular ou de doença aterosclerótica.
Desta forma, os autores trazem mais dúvidas em relação à doença
tireoidiana subclínica, principalmente no tratamento do hipotireoidismo
subclínico.
JCEM 2006; 91-781-89
Dois artigos chamam a atenção na edição do
JCEM de março, principalmente pelo fato
de apresentarem pontos de vista diferentes sobre
o diagnóstico da Síndrome de Ovários Policísticos
(PCO). No primeiro artigo ("Diagnosis of Polycystic
Ovary Syndrome: in Defense of the Rotterdam
Criteria"), o Dr. Stephen Franks defende o critério
mais utilizado recentemente para o diagnóstico
de PCO proposto em 2003 - pelo menos dois dos
seguintes: (i) sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo,
(ii) oligo-anovulação e (iii) ovários
policísticos. No outro artigo ("Diagnosis of Polycystic
Ovarian Syndrome: The Rotterdam Criteria
Are Premature"), com um ponto de vista diferente,
o Dr. Ricardo Azziz propõe que este critério seja
modificado, de modo a ampliar o diagnóstico e
permitir uma melhor caracterização dos pacientes
com determinadas características que não se
encaixam completamente nos critérios.
Arch Intern Med 2006; 166:285-293
Finalmente, vale a pena também dar uma olhada
em uma excelente meta-análise publicada sobre
um dos "assuntos da moda" na imprensa leiga, as
chamadas dietas com baixo teor de carboidratos.
Neste artigo ("Effects of Low-Carbohydrate vs
Low-Fat Diets on Weight Loss and Cardiovascular
Risk Factors. A Meta-analysis of Randomized
Controlled Trials"), o Dr. Alain J. Nordmann e cols
demonstram, através de uma meta-análise envolvendo
cinco "clinical trials", que pacientes que
realizam uma dieta com baixo teor de carboidratos
perdem mais peso que pacientes que realizam uma
dieta com baixo teor de gorduras nos primeiros 6
meses, mas que esta diferença desaparece após 12
meses. Além disso, os autores também demonstram
que, enquanto as dietas com baixo teor de
proteínas levam a um aumento nos níveis de HDL
colesterol e diminuição nos níveis de triglicérides,
os pacientes que realizam as dietas com baixo teor
de gorduras apresentam uma diminuição significativa
dos níveis de LDL e colesterol total. Desta
forma, os tipos diferentes de dieta estariam ambos
associados a uma melhora em diferentes fatores de
risco cardiovascular. Permanece ainda a discussão
sobre quais destas alterações seriam mais favoráveis
ao paciente.
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