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A VALORIZAÇÃO DO DOENTE COMO GRANDE LIÇÃO

No IEDE há 33 anos, a Dra. Rosa Rita portuguesa de nascimento, naturalizada desde 1976 - revela o que a faz ficar tanto tempo no Instituto, numa relação de profunda admiração.

Por Beth P. Santos

Dra. Rosa Rita MartinsA Dra. Rosa Rita Martins era estagiária do laboratório de citogenética do Instituto de Biofísica da UFRJ, em 1973, quando passou a freqüentar o IEDE, levada pelo Dr. José Carlos Cabral de Almeida, seu chefe. Dessa época, lembra de pessoas com quem conviveu, como Amanda Athayde, Ricardo Meirelles, Leão Zagury, Raimundo Pimentel, Jacques Fridman, Antônio Carlos Bonaccorsi e outros.

Três Décadas
Ela conta que não só passou a estagiar no ambulatório de genética, mas também a dar aulas práticas de citogenética para os alunos do Curso de Especialização em Endocrinologia. Deste modo tem início sua estória de mais de três décadas no IEDE.

Em 1974, ano de sua formatura, começou a especialização em Endocrinologia no Instituto, por orientação do Dr. José Carlos Cabral. "Naquela época o grupo de genética da UFRJ era responsável pelo módulo de genética do IEDE, no curso de especialização. Eu dava as aulas práticas e eles faziam a parte teórica", explica a Dra. Rosa Rita. Mais tarde, por orientação do Dr. Jaime Rodrigues, fez ali sua especialização, até 1976, onde viveu situação inusitada: "fui professora de mim mesma no módulo de genética, pois dei aula para meus colegas de turma!".

Continuação da Própria Casa
Por já freqüentar o ambulatório de genética do IEDE desde 1973 e conhecer muita gente no Instituto, a Dra. Rosa Rita diz que se sentia em casa por lá. "Aquele foi um período muito bom, o Instituto sempre teve um ambiente tipo família, como até hoje. Sempre foi a continuação da nossa casa, com muita colaboração e amizade. Eu tinha, ali, um grupo muito bom de amigos: a Olga (até hoje uma grande amiga), o Ízio, Marina, Ronaldo, Edna, Humberto, Célia, Luci" e outros que conheceu com o passar do tempo, como Vera, Claudia e muitos mais.

Uma das pessoas que admira e que faz questão de mencionar é o Dr. Raul Faria, há anos Diretor de Divisão Médica do Instituto. "Ele é uma referência de amor e devoção ao IEDE", diz. Entre eles, um gosto em comum: trabalhar nos dias de ponto facultativo, "quando o hospital fica vazio e o trabalho rende mais", revela.

Ela lembra, orgulhosa, que acompanha um grupo de pacientes do IEDE desde que eles eram crianças. "Muitos são adultos agora. As matrículas estão quase no número 70 mil e tenho pacientes com prontuário número 2 mil e tanto...", comenta.

Entre os nomes, que faz questão de citar, lembra de alguns - Mauricio Barbosa Lima, Álvaro Machado, Maria Orlanda, Doris Rosenthal, Luiz Cesar Póvoa e José Scherman - que foram orientadores nos cursos e ambulatórios. Sobre o Dr. Scherman, quem não tem uma estória para contar? A Dra. Rosa Rita não é uma exceção. Ela conta que entre 1975 e 79 teve suas três filhas. Quando Dr. Scherman a viu grávida pela terceira vez, perguntou sem rodeios: "A senhora não faz outra coisa a não ser ter filhos?" "E ficou me vigiando...", conta. Outras também tiveram filhos nessa época e ele vivia dizendo que as médicas do IEDE "só falavam de assuntos cri-cri" (criança e criada). "Acho que era por isto que ele implicava: era uma mulherada grávida!", comenta.

Ela lembra, ainda hoje aliviada, que foi a única aluna poupada dos comentários de ficha, uma rotina do Dr. Scherman. Teve sorte e nunca foi sorteada. "Não carrego este trauma", diz achando graça, "mas fiquei muito tempo naquela expectativa...".

Turma Tranqüila
Por causa do casamento, das filhas e do mestrado feito nesse período, ela não mantinha uma convivência muito grande com os colegas fora do IEDE. Participava apenas dos Encontros, uma ou outra atividade mais importante, e só. Diz que sua turma era muito tranqüila, ninguém "aprontava" muito, e por isto não há tantas estórias do grupo para contar.

De temperamento "reservado", como se define, a Dra. Rosa Rita comenta que sua vida "sempre foi dentro de um laboratório de citogenética". Diz ter orgulho do crescimento do Ambulatório de Genética, "pelo ambulatório em si e pelas amizades que se fortaleceram no trabalho conjunto". E cita muitos nomes: Tadeu, Dimas (já falecido), Terezinha, Eliane, Mônica e Claudio (que dividem o trabalho no ambulatório), além de colegas que estagiaram por períodos variados, como Carlos Frederico e Sueli, entre outros.

As lembranças acabam levando a reflexões sobre o legado do Instituto na vida de todos que passaram por lá. A especialista divaga um pouco sobre o assunto, aos poucos tecendo um quadro do que significou, e ainda significa, a experiência vivida no IEDE. "A grande lição que ele me deu, e dá a todos que passam por aqui, é a valorização do doente; que a instituição é importante como hospital de atendimento, mas o atendimento ao paciente é ainda mais; que o ponto de partida do tratamento do paciente é a relação que estabelecemos com ele". Tudo isto, afirma, começou a aprender com o Dr. José Carlos Cabral. E prossegue: "Isto, eu acho, foi o que sempre me prendeu aqui no Instituto. Já trabalhei em muitos Serviços, hospitais, mas este é o grande diferencial do IEDE: o atendimento humano que se dá ao paciente aqui dentro", finaliza.




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