
DOENÇA
TIREOIDIANA NA SUBCLÍNICA, OVÁRIOS POLICÍSTICOS E DIETA
Para começar a coluna deste número,
vale a pena comentar sobre dois “pequenos” artigos
publicados no Lancet e no New England Journal of Medicine.
Embora nenhum dos dois seja considerado um artigo original,
ambos apresentam conceitos inovadores para a endocrinologia.
"Are Statins Analogues of Vitamin D?"
Inicialmente, o Dr. David S. Grimmes publicou uma hipótese
extremamente interessante sobre as estatinas (Lancet 2006;368:83-86).
Através da discussão dos inúmeros "clinical trials"
envolvendo estes medicamentos e da significativa redução de
mortalidade observada nestes estudos, mesmo que além dos efeitos
sobre o LDL colesterol, o autor discute a possibilidade destas
drogas terem ações similares às da Vitamina D. Embora possa
ser considerada controversa, o autor expõe diversas evidências
que sustentam sua teoria. Mais do que isso, ele fornece algumas
maneiras bem interessantes de confirmá-la.
"Reversal of Type 1 Diabetes in Mice"
Em um breve, mas muito significativo editorial, o Dr. Douglas A.
Melton discute alguns dos achados mais importantes envolvendo a
pesquisa do Diabetes Mellitus (DM) tipo 1 em modelos animais (NEJM
2006;355:89-90). O autor discute três importantes artigos publicados
recentemente na revista Science, todos comprovando que, através da
modulação adequada de alguns mecanismos de auto-imunidade, é
possível evitar a destruição pancreática e promover a proliferação das
células beta. Embora ainda que de forma muito experimental, estes
artigos trazem importantes informações para o tratamento do DM
tipo 1.
"Testosterone Therapy in Adult
Men with Androgen Deficiency Syndromes: An Endocrine Society
Clinical Practice Guideline" & "Testosterone Use in Men and
Its Effects on Bone Health. A Systematic Review and Meta-Analysis
of Randomized Placebo-Controlled Trials"
Finalmente, dois artigos chamam a atenção na edição de junho
do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism
(JCEM 2006;95:1995-2010 e 2011-2016), principalmente por se
tratar de um dos assuntos mais controversos, atualmente, dentro
da endocrinologia. No primeiro, a Endrocrine Society
publicou uma diretriz sobre o diagnóstico, tratamento e monitorização
da terapia com testosterona em homens com diagnóstico de deficiência
de androgênios. Dentre os pontos mais importantes do artigo,
podemos observar principalmente a preocupação quanto aos possíveis
efeitos adversos da terapia (principalmente os prostáticos)
e quanto à monitorização laboratorial durante o tratamento.
No segundo artigo, também sobre a terapia androgênica, Michal
J. Tracz e colaboradores investigam a relação da reposição
hormonal masculina com a massa óssea. Embora os autores concluam
que a terapia esteja associada a um ganho significativo de
massa óssea na coluna lombar, os achados sobre o fêmur permanecem
indeterminados. Mais do que isso, os autores discutem principalmente
a necessidade de mais estudos que avaliem o impacto direto
na prevenção de fraturas e não somente na massa óssea.
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