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ADIPÓCITOS E INFLAMAÇÃO, ADESÃO AO TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS, REPOSIÇÃO ANDROGÊNICA EM MULHERES E OFTALMOPATIA DE GRAVES

Rodrigo O. MoreiraDiversos artigos interessantes foram publicados nos últimos meses, tornando muito difícil a escolha dos mais apropriados para esta edição. Vale lembrar a todos que os resultados do estudo DREAM foram publicados (avaliando o impacto da rosiglitazona e do ramipril na incidência do Diabetes Mellitus) e já extensamente discutidos (NEJM 2006; 355:1551-1562 e Lancet 2006 23;368:1096-105). Entretanto, como estes resultados serão continuamente discutidos em congressos e simpósios, optei por deixá-los de fora desta coluna - vale apenas como um lembrete significativo e uma sugestão.

"Androgen Therapy in Women: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline"
Nas colunas publicadas nas últimas edições, dei grande importância aos artigos sobre reposição androgênica em homens, principalmente por considerar este um dos assuntos mais controversos do momento. É interessante que agora venha a falar sobre a reposição em mulheres. A Dra. Margaret E. Wieman, em nome da Endocrine Society, realizou uma extensa revisão sobre o assunto e publicou o primeiro consenso sobre reposição androgênica em mulheres (JCEM 2006;91:3607-710). Dentre as principais conclusões, vale ressaltar que o comitê recomenda contra o diagnóstico de deficiência androgênica em mulheres e, principalmente, contra a reposição de testosterona em pacientes do sexo feminino. Os autores concluem que, embora existam evidências de benefícios a curto prazo, são necessários estudos mais longos e bem controlados para que os efeitos possam ser cuidadosamente avaliados e uma recomendação a favor da utilização seja feita.

"Effect of Medication Nonadherence on Hospitalization and Mortality Among Patients with Diabetes Mellitus"
Talvez uma das maiores dificuldades no tratamento dos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2, atualmente, seja a enorme quantidade de medicamentos necessários ao tratamento adequado. É extremante difícil conscientizar o paciente que diversos dos medicamentos tem como objetivo primário a prevenção, principalmente se ele é assintomático. No seu estudo publicado recentemente, o Dr. P. Michal Ho (Arch Intern Med 2006;166:1836- 1841) demonstrou que pacientes com pior adesão ao tratamento medicamentoso tinham pior controle glicêmico, além de níveis mais elevados de LDL colesterol e de pressão arterial sistólica e diastólica. Além disso, a pior adesão também se associou a um aumento nas taxas de hospitalização e na mortalidade por todas as causas. Finalmente, é interessante observar que os pacientes com pior adesão eram mais jovens e com menos comorbidades. Mais uma evidência reforçando a necessidade de um tratamento intensivo de nossos pacientes diabéticos.

"Role of Adipose Tissue as an Inflammatory Organ in Human Diseases"
Finalmente, o Dr. Andreas Schäffler publicou uma excelente revisão sobre um assunto que parece extremamente comum: a importância do adipócito como célula inflamatória (Endocrine Reviews 27:449-467). É interessante observar que, logo no início do seu artigo, o autor já deixa claro que ele não discutirá resistência à insulina e aterogênese e, sim, o papel dos adipócitos em outras doenças. Dentre os aspectos mais interessantes (principalmente para os endocrinologistas), chama a atenção as inter-relações descritas com doenças gastrointestinais (como Doença de Crohn, pancreatites e a esteatohepatite não alcoólica) e as doenças tireoidianas, principalmente a oftalmopatia de graves e o Mixedema pré-tibial.

"Clinical assessment of patients with Graves' orbitopathy: the European Group on Graves' Orbitopathy recommendations to generalists, specialists and clinical researchers"
Outro consenso publicado recentemente refere-se a uma das complicações mais temidas da Doença de Graves, a Oftalmopatia de Graves. O "European Group on Graves' Orbitopathy (EUGOGO)" avaliou as evidências disponíveis e elaborou uma série de recomendações, de grande utilidade na prática clínica.

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