
TORCETRAPIB,
OSTEOPENIA, DIURÉTICOS TIAZÍDICOS E INSULINA
INALÁVEL
Irei
começar a coluna desta edição de uma maneira um pouco diferente.
Ao invés de comentar um artigo publicado, acho importante
comentar sobre os resultados de um estudo que ainda será divulgado
e que trouxe um grande impacto para o tratamento das hipercolesterolemias
- o estudo Illustrate. O objetivo deste estudo era comparar
o uso da Atorvastatina com a associação Atorvastatina + Torcetrapib.
O Torcetrapib é um inibidor da "cholesteryl-ester-transfer-protein"
(CETP) e tem como principal objetivo o aumento dos níveis
de HDL colesterol. Esperava-se que esta associação, através
de uma dupla ação sobre o perfil lipídico (diminuição do LDL
e aumento do HDL colesterol), estivesse associada a uma redução
na mortalidade cardiovascular. Surpreendentemente, os resultados
obtidos demonstraram o contrário, isto é, um aumento da mortalidade
cardiovascular.
Existem atualmente dois possíveis mecanismos
para estes resultados: (i) parece existir um pequeno aumento
da pressão arterial associada ao Torcetrapib e/ou (ii) o aumento
do HDL é predominantemente de um HDL "nãofuncional". Estes
achados levaram o laboratório farmacêutico a suspender não
só o estudo, mas toda a pesquisa com o Torcetrapib. Embora
ainda seja cedo para "enterrar" este novo medicamento, estes
resultados foram desapontadores para todos os interessados
no tratamento das dislipidemias. Para os mais curiosos, os
resultados serão inicialmente apresentados nas Sessões Científicas
do American College of Cardiology 2007, em New Orleans.
"A 55 -Year-Old Woman with Osteopenia"
Mais um artigo "diferente" para a coluna deste mês. Talvez
uma das grandes dúvidas seja o que fazer quando nos deparamos
com uma mulher com osteopenia. Como avaliar corretamente?
Devemos tratar? Qual o melhor tratamento - cálcio + vitamina
D, anti-reabsortivos, drogas anabólicas? Sempre existe um
pouco de dúvida sobre a conduta mais adequada. Este artigo,
publicado pelo Dr. Steven R. Cummings (JAMA. 2006;296:2601-2610),
aborda este assunto de maneira prática e bem objetiva. Praticamente
através de uma "discussão com o professor", o Dr. Cummings
fala sobre densitometria mineral óssea, risco de fraturas
e tratamento farmacológico. Finalmente, o autor faz uma série
de recomendações para a paciente e ainda termina o artigo
discutindo alguns pontos de vista mais controversos. Um artigo
de grande interesse para a prática clínica.
"Fasting Glucose Levels and Incident Diabetes Mellitus in Older
Nondiabetic Adults Randomized to Receive 3 Different Classes
of Antihypertensive Treatment. A Report From the Antihypertensive
and Lipid-Lowering Treatment to Prevent Heart Attack
Trial (ALLHAT)"
Mais um estudo publicado pelo ALLHAT de grande interesse para
os endocrinologistas. Neste estudo, o Dr. Joshua I. Barzilay (Arch
Intern Med 2006;166:2191-2201) comparou os efeitos de diversos antihipertensivos
nos níveis de glicemia. Embora tenha comprovado que a
utilização de diuréticos tiazídicos esteja associada a um modesto aumento
nos níveis da glicose plasmática, não existe nenhuma evidência conclusiva
de que os diuréticos tiazídicos, em particular a clortalidona, aumentem a
incidência do Diabetes Mellitus tipo 2. É interessante que na mesma edição
um editorial comenta os resultados deste artigo sobre o seguinte enfoque:
o que é pior para o paciente, o aumento da glicemia ou manter a pressão
arterial elevada?
"Meta-Analysis: Efficacy and
Safety of Inhaled Insulin Therapy in Adults with Diabetes
Mellitus"
Para os interessados em novas tecnologias para o tratamento
do Diabetes Mellitus, a metaanálise acima será de grande interesse
e promoverá uma grande discussão. A Dra. Lisa Ceglia e colaboradores
(Ann Intern Med 2006;145:665-675) avaliaram um total de 16
estudos clínicos que utilizaram a insulina inalável. Dentre
os principais achados dos autores, eles demonstraram que:
(i) a insulina inalável melhora o controle glicêmico de maneira
levemente inferior à insulina subcutânea; (ii) hipoglicemia
grave foi mais comum em pacientes em uso da insulina inalável;
(iii) a aceitabilidade do tratamento foi maior com a insulina
inalável e; (iv) tosse seca leve a moderada e piora leve na
função pulmonar foi observada em pacientes em uso da insulina
inalável. Os autores concluem que a insulina inalável deve
ainda ser reservada para pacientes com dificuldade em aceitar
as aplicações da insulina subcutânea.
voltar
para o índice
|
 |