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TORCETRAPIB, OSTEOPENIA, DIURÉTICOS TIAZÍDICOS E INSULINA INALÁVEL

Rodrigo O. MoreiraIrei começar a coluna desta edição de uma maneira um pouco diferente. Ao invés de comentar um artigo publicado, acho importante comentar sobre os resultados de um estudo que ainda será divulgado e que trouxe um grande impacto para o tratamento das hipercolesterolemias - o estudo Illustrate. O objetivo deste estudo era comparar o uso da Atorvastatina com a associação Atorvastatina + Torcetrapib. O Torcetrapib é um inibidor da "cholesteryl-ester-transfer-protein" (CETP) e tem como principal objetivo o aumento dos níveis de HDL colesterol. Esperava-se que esta associação, através de uma dupla ação sobre o perfil lipídico (diminuição do LDL e aumento do HDL colesterol), estivesse associada a uma redução na mortalidade cardiovascular. Surpreendentemente, os resultados obtidos demonstraram o contrário, isto é, um aumento da mortalidade cardiovascular.

Existem atualmente dois possíveis mecanismos para estes resultados: (i) parece existir um pequeno aumento da pressão arterial associada ao Torcetrapib e/ou (ii) o aumento do HDL é predominantemente de um HDL "nãofuncional". Estes achados levaram o laboratório farmacêutico a suspender não só o estudo, mas toda a pesquisa com o Torcetrapib. Embora ainda seja cedo para "enterrar" este novo medicamento, estes resultados foram desapontadores para todos os interessados no tratamento das dislipidemias. Para os mais curiosos, os resultados serão inicialmente apresentados nas Sessões Científicas do American College of Cardiology 2007, em New Orleans.

"A 55 -Year-Old Woman with Osteopenia"
Mais um artigo "diferente" para a coluna deste mês. Talvez uma das grandes dúvidas seja o que fazer quando nos deparamos com uma mulher com osteopenia. Como avaliar corretamente? Devemos tratar? Qual o melhor tratamento - cálcio + vitamina D, anti-reabsortivos, drogas anabólicas? Sempre existe um pouco de dúvida sobre a conduta mais adequada. Este artigo, publicado pelo Dr. Steven R. Cummings (JAMA. 2006;296:2601-2610), aborda este assunto de maneira prática e bem objetiva. Praticamente através de uma "discussão com o professor", o Dr. Cummings fala sobre densitometria mineral óssea, risco de fraturas e tratamento farmacológico. Finalmente, o autor faz uma série de recomendações para a paciente e ainda termina o artigo discutindo alguns pontos de vista mais controversos. Um artigo de grande interesse para a prática clínica.

"Fasting Glucose Levels and Incident Diabetes Mellitus in Older Nondiabetic Adults Randomized to Receive 3 Different Classes of Antihypertensive Treatment. A Report From the Antihypertensive and Lipid-Lowering Treatment to Prevent Heart Attack Trial (ALLHAT)"
Mais um estudo publicado pelo ALLHAT de grande interesse para os endocrinologistas. Neste estudo, o Dr. Joshua I. Barzilay (Arch Intern Med 2006;166:2191-2201) comparou os efeitos de diversos antihipertensivos nos níveis de glicemia. Embora tenha comprovado que a utilização de diuréticos tiazídicos esteja associada a um modesto aumento nos níveis da glicose plasmática, não existe nenhuma evidência conclusiva de que os diuréticos tiazídicos, em particular a clortalidona, aumentem a incidência do Diabetes Mellitus tipo 2. É interessante que na mesma edição um editorial comenta os resultados deste artigo sobre o seguinte enfoque: o que é pior para o paciente, o aumento da glicemia ou manter a pressão arterial elevada?

"Meta-Analysis: Efficacy and Safety of Inhaled Insulin Therapy in Adults with Diabetes Mellitus"
Para os interessados em novas tecnologias para o tratamento do Diabetes Mellitus, a metaanálise acima será de grande interesse e promoverá uma grande discussão. A Dra. Lisa Ceglia e colaboradores (Ann Intern Med 2006;145:665-675) avaliaram um total de 16 estudos clínicos que utilizaram a insulina inalável. Dentre os principais achados dos autores, eles demonstraram que: (i) a insulina inalável melhora o controle glicêmico de maneira levemente inferior à insulina subcutânea; (ii) hipoglicemia grave foi mais comum em pacientes em uso da insulina inalável; (iii) a aceitabilidade do tratamento foi maior com a insulina inalável e; (iv) tosse seca leve a moderada e piora leve na função pulmonar foi observada em pacientes em uso da insulina inalável. Os autores concluem que a insulina inalável deve ainda ser reservada para pacientes com dificuldade em aceitar as aplicações da insulina subcutânea.

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