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"EXCELENTE FORMAÇÃO PARA TODA A VIDA"

A Dra. Maria Cristina Actis de Freitas faz um apanhado de seus anos no Instituto, ao qual declara amor profundo, lembra dos amigos e das histórias inusitadas.

Por Sandra Malafaia

Dra. Maria Cristina Actis de FreitasEla conheceu o IEDE em 1968, através do Dr. Jayme Rodrigues, então diretor do Instituto, com o qual foi fazer uma consulta médica. A Dra. Maria Cristina Actis de Freitas cursava medicina, na época, e ficou especialmente interessada em Endocrinologia - cadeira que ainda não existia na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, onde estudava, e para a qual passou em primeiro lugar no vestibular.

Em novembro de 1971, esteve no IEDE como candidata à Residência Médica, sendo avaliada e aprovada pelos doutores Luiz Cesar Póvoa, Jayme Rodrigues e Raul Faria Jr. "Escolher medicina como profissão foi algo natural, pois atendo a uma necessidade imperiosa em mim, a de ajudar ao próximo, com ou sem retorno de qualquer espécie", diz a Dra. Maria Cristina.

A especialista acrescenta que, em seus dois anos de residência no IEDE, ficou muito clara a influência do Dr. Jayme Rodrigues em sua formação profissional. Além disso, afirma ter feito outras grandes amizades com professores que muito a enriqueceram intelectualmente, como os doutores Francisco Arduíno, Júlio Polisuc, Maurício de Abreu Barbosa Lima, a gentileza em pessoa, e José Schermann, a quem define como um "mestre muito bravo e exigente", porém bastante admirado por ela.

Ela foi a primeira pessoa do IEDE a defender tese de mestrado na PUC/RJ, fato que considera muito importante para a sua formação médica, não só pelo conceito que obteve (excelente), "como pelo quilate da banca examinadora que o atribuiu, formada pelos Profs. Luiz Cesar Póvoa e Helion Póvoa Filho, sob a presidência do Prof. Emílio Mattar".

Participou também, com o Dr. Jayme Rodrigues, das primeiras pesquisas com os hormônios hipotalâmicos isolados pelo Dr. Andrew Victor Schally, prêmio Nobel de Medicina de 1978.

Amizades e Carinho
Mesmo morando em Salvador - onde trabalha no Serviço Médico do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, atende em consultório no Centro Médico do Hospital Português e no Centro Médico Professor Fernando Filgueiras - a Dra. Maria Cristina continua amiga de seus colegas de residência.

"Entre os amigos, quero citar, principalmente, Deane Maria dos Santos, Marluce Porciúncula Leão, Luiz Felipe Marinho Capiberibe, Marcos Troian, Cláudio Engelke, Amanda Athayde, Ricardo Meirelles, Maria Lúcia de Faria, os três últimos do Rio de Janeiro; a bibliotecária Maria das Neves Cavalcante, a equipe do Serviço Social e o corpo de enfermagem do Instituto, bem como os técnicos do Laboratório Light-RR, além de outros pelos quais conservo muito carinho", comenta.

Casos Engraçados
Bem-humorada, a Dra. Maria Cristina conta algumas histórias engraçadas da época em que esteve no IEDE. Uma delas foi a brincadeira de "troca de sexo", com um colega de trabalho:

"Felipe e eu decidimos variar. Descemos ao ambulatório para atendimento aos pacientes, ele vestido com minhas roupas, saltos altos e uma bonita peruca de mulher, e eu, vestida com as dele, usando paletó, gravata e sapatos masculinos. Ficamos sérios durante todo o tempo, como se isso fosse absolutamente natural, mas os pacientes morreram de rir", recorda.

Ela não sabe se o fato chegou ao conhecimento da chefia, mas a verdade é que não foram punidos. "Por essas e outras, sinto imensa saudade do período de residência em que estudávamos muito, mas nos divertíamos da mesma maneira, com pouca coisa e pouco dinheiro, além da convivência extremamente prazerosa", relata.

Feijoada Memorável
Segundo a doutora, outra passagem memorável foi uma feijoada, em Teresópolis. "Como nós, residentes, vivíamos sempre com fome, o Dr. Schermann nos convidou para almoçar em seu sítio, no fim de semana. Mas, antes do almoço, bebemos muito para combater o frio e ficamos embriagados. Um colega achou que mergulhar na piscina seria bom para todos os ébrios. Tivemos de "salvá-lo", embora ele fosse um atleta. A segunda vítima fui eu, que também tive de ser socorrida", conta, acrescentando que tudo o mais correu bem e regressaram felizes.

Dra. Maria Cristina faz questão de frisar que o Instituto continua sendo a maior referência nacional em Endocrinologia e Diabetologia. "A experiência vivida no IEDE significa, principalmente, uma excelente formação para toda a vida. Durante o tempo em que residi e estudei lá, a única coisa negativa foi a saudade da família e a doença do prof. Jayme Rodrigues. Fora isso, pela importância que teve em minha vida, só posso dizer que amo o IEDE!", conclui.




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