
ROSIGLITAZONA E TERAPIA CELULAR PARA DIABETES MELLITUS TIPO 1
“Effect
of Rosiglitazone on the Risk of Myocardial Infarction and
Death from Cardiovascular Causes”
Poucos artigos causaram tanto impacto no último ano
como o artigo publicado por Steven E. Nissen e Kathy Wolski
no mês de maio (N Eng J Med. 2007; 356:2457-71). Através
de uma meta-análise, os autores concluíram que
o uso de rosiglitazona esteve associado a um aumento significativo
no risco de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) (43%)
e uma tendência a um aumento na mortalidade por qualquer
causa cardiovascular (64%). Embora o artigo tenha sido publicado
em uma das mais importantes revistas do meio médico,
diversos aspectos metodológicos tornaram o artigo,
e principalmente seus resultados, passível de críticas.
A publicação do artigo levou diversas entidades vinculadas ao meio médico e a
endocrinologia, e inclusive a entidades não médicas, a se posicionarem sobre
os resultados apresentados. De uma maneira geral, a maioria das entidades reforça
a importância do artigo e de seus achados, mas atenta para a maneira inadequada
que estes foram obtidos.
Finalmente, devido ao impacto do artigo, foi também publicada na NEJM (até esta
data, apenas on-line) uma análise interina do estudo RECORD("Rosiglitazone Evaluated
for Cardiac Outcomes and Regulation of Glycemia in Diabetes"), um estudo especificamente
desenvolvido para avaliar o efeito da rosiglitazona sobre a mortalidade cardiovascular.
Através dos dados avaliados até o momento (4447 pacientes acompanhados por 3.75 anos),
nenhum aumento significativo da mortalidade cardiovascular ou da incidência de IAM foi
evidenciado com a Rosiglitazona. Chama a atenção também a publicação de 04 editoriais
diferentes, cada um exibindo uma opinião diferente, e extremamente importante, sobre
estes achados tão controversos.
"Autologous nonmyeloablative Hematopoietic Stem Cell Transplantation in Newly Diagnosed Type 1 Diabetes Mellitus"
Outro artigo que chamou a atenção nos últimos meses (também tendo gerado um editorial
na mesma edição) foi publicado pelo Dr. Júlio C. Voltarelli e colaborados, da
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto (JAMA 2007; 297: 1568-1576). Os autores
demonstraram em um pequeno grupo de pacientes com DM tipo 1 recém diagnosticado que
o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas pode levar a uma melhora na
função das células beta, demonstrado através de um aumento na concentração plasmática
do peptídeo C. Além disso, os autores demonstraram uma redução significativa da
hemoglobina glicosilada, inclusive em pacientes já sem tratamento com insulina exógena.
Um artigo para ser comentado e que certamente servirá de referência nos próximos anos.
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