
Hormônio de Crescimento e Exercício,
Hormônios Tireoidianos e Peso
Corporal e algumas revisões
Mais uma vez, é impossível começar esta coluna
sem comentar sobre alguns clinical trials
que balançaram a endocrinologia nos últimos meses.
Como estes estudos serão exaustivamente explorados
em congressos e pela indústria farmacêutica,
farei apenas comentários rápidos. Primeiro, o estudo
ENHANCE ("Simvastatin with or without Ezetimibe
in Familial Hypercholesterolemia"), publicado
por Kastelein JJ e cols no NEJM 358:1431-1443,
comparou o efeito da sinvastatina isolada com
sinvastatina e ezetimibe na espessura da carótida.
Surpreendentemente, embora a associação tenha
promovido uma redução mais eficaz nos níveis do
colesterol LDL, não houve diferença nos efeitos
sobre a placa carotídea. Vale a pena ler também
os três editoriais presentes nesta edição, que nos
dão uma excelente explicação para os resultados.
Segundo, o estudo PERISCOPE ("Comparison
of Pioglitazone vs Glimepiride on Progression of
Coronary Atherosclerosis in Patients With Type 2
Diabetes"), publicado por Nissen SE e cols no JAMA
299[13]:1561-1573, avaliou o efeito da pioglitazona
em comparação a glimepirida na espessura carotídea.
Os resultados demonstraram que a pioglitazona
é capaz de evitar a progressão da placa ateromatosa,
o que não foi demonstrado com a glimepirida. Um efeito extremamente importante, previamente atribuídos
apenas às estatinas.
"Systematic Review: The Effects of Growth
Hormone on Athletic Performance"
Muita atenção vem sendo dada ao uso exagerado
do hormônio do crescimento (GH) para
melhorar o aproveitamento de atletas em diferentes
modalidades. Mais do que isso, diversos médicos também
utilizam o GH para "acelerar" o emagrecimento.
Este artigo ainda será publicado (está disponível
apenas online, mas sairá no volume 48 - número 10
do Annals of Internal Medicine) e se trata de uma revisão
sistemática de Liu H e cols sobre a utilização do
GH para melhora do desempenho de atletas. Através
da avaliação dos artigos disponíveis (que os próprios
autores sugerem que possa não ser similar ao que
acontece no mundo real), eles chegam aos seguintes
resultados: 1 - não há evidência que sugira que o
GH melhore o desempenho de atletas; 2 - embora
pareça existir um pequeno aumento na massa magra,
não existe aumento de força muscular; finalmente,
pode haver uma piora da capacidade física, além de
um aumento na incidência de efeitos colaterais. Um
artigo que merece ser revisto por todos aqueles que
prescrevem o GH para atletas.
"Relations of Thyroid Function to Body Weight-
Cross-sectional and Longitudinal Observations
in a Community-Based Sample"
Para os interessados nos efeitos dos hormônios
tireoidianos no peso corporal (uma queixa sempre
muito comum de nossos pacientes), vale a pena
dar uma olhada no estudo publicado por Fox CS no
Archives of Internal Medicine 186(6):687-592. Os
autores avaliaram 2407 indivíduos através da dosagem
do TSH, em dois momentos distintos (basal e
após 3.5 anos). Foi demonstrado que um aumento
nos níveis de TSH durante o período de acompanhamento
se associa a um pequeno aumento no peso
corporal. Estes achados podem servir para aumentar
a discussão sobre os níveis normais de TSH e sobre o
tratamento do hipotireoidismo subclínico.
Só para terminar, os interessados em endocrinologia
feminina devem ler duas meta-análises publicadas
na edição de abril do Journal of Clinical Endocrinology
and Metabolism ("Insulin Sensitizers for the
Treatment of Hirsutism: A Systematic Review
and Meta-analyses of Randomized Controlled
Trials", de Cosma M e cols; e "Antiandrogens
for the Treatment of Hirsutism: A Systematic
Review and Meta-analyses of Randomized
Controlled Trials", de Swiglo BA e cols.
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