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Rodrigo O. MoreiraNovos Conceitos no Diagnóstico e Tratamento do DiabetesMellitus tipo 2 e Síndrome de Cushing

Vamos começar a coluna desta edição mais uma vez comentando sobre uma edição recheada de artigos importantes para a endocrinologia, do New England Journal of Medicine (Volume 358, número 24 de 12 de Junho). Esta edição publicou os resultados de dois dos “clinical trials” mais comentados este ano: o ACCORD e o ADVANCE. O estudo ACCORD “Effects of Intensive Glucose Lowering in Type 2 Diabetes” demonstrou, de maneira surpreendente, que pacientes randomizados para controle glicêmico intensivo (HbA1c < 6.0) apresentaram um aumento da mortalidade em comparação a pacientes mantidos com o chamado Tratamento Convencional (HbA1c entre 7.0 e 7.9). Um achado extremamente surpreendente e que ainda será muito discutido.

Também de forma um pouco semelhante, o estudo ADVANCE “Intensive Blood Glucose Control and Vascular Outcomes in Patients with Type 2 Diabetes” não conseguiu demonstrar que o controle glicêmico intensivo é capaz de reduzir os chamados eventos macrovasculares. Dois estudos que estão fazendo com que vários de nossos conceitos sobre tratamento do diabetes sejam revistos. Finalmente, também pode ser encontrada na mesma edição o excelente artigo de revisão “Graves´s Disease” de Gregory A. Brent. Um ótimo artigo para quem quer dar uma atualizada em uma das doenças mais importantes da endocrinologia.

"A New Look at Screening and Diagnosing Diabetes Mellitus"

Este é um artigo que provavelmente dará o que falar. Publicado por Christopher D. Saudek e colaboradores (JCEM 2008;93(7):2447-2453), o artigo reúne um grupo de seis diferentes especialistas para discutir o valor da Hemoglobina Glicosilada (HbA1c) no “screening” e diagnóstico do Diabetes Mellitus (DM). Através de uma ampla revisão da literatura, principalmente revendo aspectos específicos e favoráveis da HbA1c, os autores fazem a seguinte recomendação: Pacientes com HbA1c ≥ 7.0 precisariam de apenas uma nova dosagem (confirmação) de HbA1c ≥ 6.5 para estabelecer o diagnóstico de DM (independente de glicemia de jejum ou teste oral de tolerância à glicose [TOTG]); e pacientes com HbA1c ≥ 6.5, precisariam apenas de uma glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (ou do TOTG) para o estabelecimento do diagnóstico. É interessante observar que estas recomendações visam melhorar o diagnóstico do DM, reconhecendo pacientes que permaneceriam sem diagnóstico com as recomendações atuais. Vale ressaltar que os autores terminam seu artigo dizendo que seus achados precisam ser revistos pelas sociedades antes que suas recomendações sejam amplamente aceitas.

"Treatment of ACTH-dependent Cushing’s Syndrome: a consensus statement” e “The Diagnosis of Cushing’s Syndrome: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline"

Aqui estão dois artigos essenciais para todos os endocrinologistas, principalmente aqueles que estão estudando para o nosso Título de Especialista. Publicados, respectivamente, por Beverly M. Biller e colaboradores (JCEM 2008;93(7):2454-2462) e Lynnette K. Nieman e colaboradores (JCEM 2008;93(5):1526-1540), os artigo fazem uma excelente revisão sobre todos os aspectos clínicos da Síndrome de Cushing. Nestes artigos, poderão ser encontradas referências sobre os testes diagnósticos (incluindo os pontos de corte mais atuais, recomendações específicas para cada teste e aplicabilidade dos testes em situações especiais), recomendações sobre os diferentes tipos de tratamento (tanto cirúrgico como farmacológico), avaliação de cura e recidiva e, também, o manejo de pacientes em situações especiais.






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