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Refazendo Mitos

Dr. Luiz Cézar PóvoaHá 200 anos, quando D. João e a Corte aqui chegaram, não havia médicos - ou melhor, “physicos” - para atendê-los. Trouxe, então, a Corte, médicos comandados pelo cirurgião-mor José Correia Picanço, pernambucano formado na Bélgica.

Como D. João, por questões aparentemente estratégicas, aportou em Salvador, Picanço pediu ao Regente para fundar uma Escola de Medicina na Bahia, onde havia sido criado.

Faculdade no Rio

D. João deu, então, a Carta de autorização e, por falta de docentes para a Escola, Picanço ficou na Bahia, enquanto o Regente seguiu para o Rio acompanhado pelo médico franciscano Frei Custodio. Em 5 de novembro, este recebeu uma Carta de autorização e fundou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no antigo colégio Jesuíta no Morro do Castelo, onde já funcionava o Real Hospital Militar.

Frei Custodio foi, então, presidente do primeiro Conselho de Medicina da época, em lugar do protomedicato (antiga junta de médicos que fazia inspeções sanitárias, fiscalizava as boticas etc).

O Rio era uma cidade de 50 mil habitantes, suja, fedorenta, com esgoto aberto transmitindo doenças. A população, pela falta de médicos, recorria a curandeiros ou a cirurgiões barbeiros.

O curso da Escola da Bahia tinha apenas duas disciplinas: Cirurgia Especulativa a Prática (Prof. Manoel José Estrella) e Anatomia e Operações Cirúrgicas (José Soares de Castro).

Faculdade no Rio

Foi então que a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apesar de fundada meses após, formou a 1ª turma. Foi, pois, a Escola mais antiga do Brasil.

Complementando curiosidades: em 1808 não era permitido às mulheres sequer freqüentar as salas de aula. Vencendo barreiras, após ser recusada no Rio, foi na Bahia que a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes se formou em 1887. Ia acompanhada pelo pai que a esperava, todos os dias, do lado de fora da faculdade. Tornou-se obstetra, sua principal área de interesse. Antes dela, apenas uma brasileira havia se formado: Maria Augusta Generoso Estrela, que cursou Medicina em Nova York, uma escola fundada após intensa luta, só para mulheres.

Obs: Algumas informações foram retiradas do artigo da Revista Médico e Saúde Ano I nº 3, do CREMERJ.





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