
Controvérsias em Dislipidemia,
Controvérsias em Diabetes!!
Controvérsias, Controvérsias, Controvérsias....
Na última coluna, comentei sobre as controvérsias
e discussões levantadas pela publicação
do ACCORD e ADVANCE. Para aqueles que
acreditavam que estas controvérsias estavam apenas
começando, este mês iremos colocar mais “lenha
na fogueira”, trazendo novas discussões não só do
diabetes, mas também na dislipidemia.
"10-Year Follow-up of Intensive Glucose Control in Type 2 Diabetes"
Grande parte da discussão levantada com o
ACCORD e ADVANCE foi relativa à falta
de eficácia do controle glicêmico intensivo na
redução de eventos macrovasculares. Uma análise
dos dados do UKPDS (UKPDS 80), publicada
por Rury Holman e cols (NEJM 359;15:1577-89),
certamente irá contestar estes dados. Embora existam
diferenças nas populações avaliadas, os autores
demonstraram que pacientes que receberam
tratamento intensivo para o diabetes tipo 2 logo ao
diagnóstico apresentaram uma redução de Infarto
Agudo do Miocárdio e Morte por todas as causas,
que persistiu por um período de acompanhamento
de 10 anos. Outro aspecto interessante, é que os
benefícios foram observados tanto no grupo tratado
intensivamente com sulfoniureia/insulina como no
grupo tratado com metformina. Os autores afirmam
que o “legado” que estes pacientes levaram ao obter
o controle glicêmico intensivo precoce pode ser
extremamente importante para a “memória” do
corpo humano, refletindo nos resultados observados
em longo prazo.
"Long-Term Follow-up after Tight Control of Blood Pressure in Type 2 Diabetes"
Outro estudo que chamou também a atenção
foi publicado pelo mesmo grupo na mesma
edição do NEJM (359;15:1565-76) e também se
refere a uma nova análise do UKPDS (UKPDS 81)
com relação ao tratamento da hipertensão arterial.
Os autores não conseguiram demonstrar que os
benefícos do controle da pressão arterial obtidos no
início do tratamento persistiram depois de 10 anos.
Desta forma, os autores concluem que o tratamento
intensivo da pressão arterial precisa ser mantido
durante todo o tratamento do DM para que os benefícios
sobre a redução de eventos cardiovasculares
possam ser observados. Parece que o “legado” do
tratamento inicial da hipertensão não é tão importante
quanto do controle glicêmico!
"Lipid Screening and Cardiovascular Health in Childhood"
Um artigo que também gerou uma série de controvérsias
foi publicado por Stephen Daniel e cols (Pediatrics 122:198-208) e refere-se às novas recomendações para diagnóstico e tratamento da dislipidemia na infância. Dentre as considerações
mais importantes, os autores já recomendam terapia
com Pravastatina, em crianças acima de 8 anos
de idade, independente do estágio puberal. Obviamente,
existem critérios bem definidos para este
tratamento, assim como recomendações para monitorização.
A publicação deste artigo levou a uma
série de editoriais e artigos, alguns essenciais para
entendermos a importância destas recomendações:
“Storm over Statins - The Controversy SurroundingPharmacologic
Treatment of Children” de Sarah
de Ferranti (NEJM 359;13:1309-12); “Recognition
and Management of Dyslipidemia in Children and
Adolescents” de Peter Kwiterovich (JCEM) e “Statins
for Childrem?” (Lancet 372;178).
Para terminar, fica a sugestão de leitura sobre
abordagem do paciente com intolerância à glicose,
mostrando as recomendações específicas (e de
certo modo, divergentes) de duas sociedades: “Primary
Prevention of Cardiovascular Disease and
Type 2 Diabetes in Patients at Metabolic Risk: An
Endocrine Society Clinical Practice Guideline” de
James L. Rosenzweig e cols (JCEM 93:3671-3689) e
“American College of Endocrinology Pre-Diabetes
Consensus Conference“ de Zachary Bloomgarden
(Diabetes Care 31:2062-69).
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