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Rodrigo O. MoreiraControvérsias em Dislipidemia,
Controvérsias em Diabetes!!
Controvérsias, Controvérsias, Controvérsias....

Na última coluna, comentei sobre as controvérsias e discussões levantadas pela publicação do ACCORD e ADVANCE. Para aqueles que acreditavam que estas controvérsias estavam apenas começando, este mês iremos colocar mais “lenha na fogueira”, trazendo novas discussões não só do diabetes, mas também na dislipidemia.

"10-Year Follow-up of Intensive Glucose Control in Type 2 Diabetes"

Grande parte da discussão levantada com o ACCORD e ADVANCE foi relativa à falta de eficácia do controle glicêmico intensivo na redução de eventos macrovasculares. Uma análise dos dados do UKPDS (UKPDS 80), publicada por Rury Holman e cols (NEJM 359;15:1577-89), certamente irá contestar estes dados. Embora existam diferenças nas populações avaliadas, os autores demonstraram que pacientes que receberam tratamento intensivo para o diabetes tipo 2 logo ao diagnóstico apresentaram uma redução de Infarto Agudo do Miocárdio e Morte por todas as causas, que persistiu por um período de acompanhamento de 10 anos. Outro aspecto interessante, é que os benefícios foram observados tanto no grupo tratado intensivamente com sulfoniureia/insulina como no grupo tratado com metformina. Os autores afirmam que o “legado” que estes pacientes levaram ao obter o controle glicêmico intensivo precoce pode ser extremamente importante para a “memória” do corpo humano, refletindo nos resultados observados em longo prazo.

"Long-Term Follow-up after Tight Control of Blood Pressure in Type 2 Diabetes"

Outro estudo que chamou também a atenção foi publicado pelo mesmo grupo na mesma edição do NEJM (359;15:1565-76) e também se refere a uma nova análise do UKPDS (UKPDS 81) com relação ao tratamento da hipertensão arterial. Os autores não conseguiram demonstrar que os benefícos do controle da pressão arterial obtidos no início do tratamento persistiram depois de 10 anos. Desta forma, os autores concluem que o tratamento intensivo da pressão arterial precisa ser mantido durante todo o tratamento do DM para que os benefícios sobre a redução de eventos cardiovasculares possam ser observados. Parece que o “legado” do tratamento inicial da hipertensão não é tão importante quanto do controle glicêmico!

"Lipid Screening and Cardiovascular Health in Childhood"

Um artigo que também gerou uma série de controvérsias foi publicado por Stephen Daniel e cols (Pediatrics 122:198-208) e refere-se às novas recomendações para diagnóstico e tratamento da dislipidemia na infância. Dentre as considerações mais importantes, os autores já recomendam terapia com Pravastatina, em crianças acima de 8 anos de idade, independente do estágio puberal. Obviamente, existem critérios bem definidos para este tratamento, assim como recomendações para monitorização. A publicação deste artigo levou a uma série de editoriais e artigos, alguns essenciais para entendermos a importância destas recomendações: “Storm over Statins - The Controversy SurroundingPharmacologic Treatment of Children” de Sarah de Ferranti (NEJM 359;13:1309-12); “Recognition and Management of Dyslipidemia in Children and Adolescents” de Peter Kwiterovich (JCEM) e “Statins for Childrem?” (Lancet 372;178).

Para terminar, fica a sugestão de leitura sobre abordagem do paciente com intolerância à glicose, mostrando as recomendações específicas (e de certo modo, divergentes) de duas sociedades: “Primary Prevention of Cardiovascular Disease and Type 2 Diabetes in Patients at Metabolic Risk: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline” de James L. Rosenzweig e cols (JCEM 93:3671-3689) e “American College of Endocrinology Pre-Diabetes Consensus Conference“ de Zachary Bloomgarden (Diabetes Care 31:2062-69).






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