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Rodrigo O. MoreiraObesidade Infantil, PAAF de Tireóide e Risco Cardiovascular

Mais uma vez, trazemos uma série de artigos que darão o que falar e que, provavelmente, serão muito comentados nos próximos congressos.

Tratamento de Obesidade na Infância

Para começar a coluna desta edição, resolvi comentar ao mesmo tempo três artigos publicados na edição de dezembro do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Estes artigos, embora sejam de um interesse especial para os endocrinologistas pediátricos, merecem uma atenção especial de todos, por se tratar de um assunto que tem nos preocupando cada vez mais. Os três artigos são: Prevention and Treatment of Pediatric Obesity: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline Based on Expert Opinion, de Gilbert August e cols (JCEM 2008;93:4576- 99); Treatment of Pediatric Obesity: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Trials, de Lauren McGovern e cols (JCEM 2008;93:4600-05); e Behavioral Interventions to Prevent Childhood Obesity: A Systematic Review and Metaanalyses of Randomized Trials, de Celia Kamath e cols (JCEM 2008;93:4606- 15). Dentre os comentários mais importantes apresentados neste artigo, vale a pena ressaltar que os autores já recomendam terapia farmacológica para crianças com comorbidades graves após insucesso de medidas gerais. E também são apresentados critérios específicos para o tratamento cirúrgico da obesidade em crianças e adolescentes. Logicamente, grande valor é dado às medidas educacionais e populacionais, visando mais uma redução global de risco do que tratamentos específicos. Vale a pena, também, deixar registrada a revisão publicada um mês antes, intitulada Recommendations for the Diagnosis and Management of Prader-Willi Syndrome, de Goldstone e cols (JCEM 2008;93:4183-97). Embora a Síndrome de Prader-Willi seja uma entidade extremamente complexa, uma das maiores dificuldades é o controle do peso destes pacientes.

“Approach to the Patient with a Cytologically Indeterminate Thyroid Nodule”

Na mesma edição de novembro do JCEM, foi publicado um artigo de revisão de um dos assuntos que eu considero mais controversos dentro da endocrinologia: O que fazer com o paciente com Citopatológico de PAAF indeterminado? Neste artigo, Erik Alexander (JCEM 2008; 93:4175-82) discute as possíveis condutas para pacientes com o tradicional “padrão folicular” ou “atípico”. O autor discute que a estratificação de risco deveria ser realizada com base em novas evidências clínicas, radiológicas e moleculares e que muitas cirurgias poderiam ser evitadas se uma abordagem mais adequada fosse realizada.

“Rosuvastatin to Prevent Vascular Events in Men and Women with Elevated C-Reactive Protein”

Um dos estudos que entrará na lista dos mais importantes do ano foi publicado por Paul Ridker e cols (NEJM 2008;359:2195-2207) e refere-se ao tratamento de pacientes de baixo risco cardiovascular com rosuvastatina: o estudo Jupiter. Nele, os autores incluíram mais de 16000 pacientes com LDL colesterol menor do que 130 mg/ dL e Proteína C Reativa elevada. Embora fossem considerados pacientes de baixo risco, o tratamento com rosuvastatina levou à redução significativa de eventos cardiovasculares, levando, inclusive, à interrupção do estudo. Dentre as muitas discussões levantadas neste estudo, destacam-se: 1) Quais são realmente os valores normais do LDL colesterol?; 2) Qual o valor da PCR na estratificação do risco cardiovascular?; 3) Será que as atuais metas lipídicas são realmente adequadas? Acredito que, dentro em breve, todo o consenso de diagnóstico e tratamento das dislipidemias vá ser revisto e que mudanças serão implantadas para uma melhor prevenção primária de eventos cardiovasculares.

“Low-Dose Aspirin for Primary Prevention of Atherosclerotic Events in Patients with Type 2 Diabetes. A Randomized Controlled Trial”

Um comentário rápido sobre este estudo publicado por Hisao Ogawa e cols (JAMA 2008;300: 2134-2141). Neste estudo, que avaliou aproximadamente 2500 indivíduos, pacientes com Diabetes Mellitus sem Doença Arterial Coronariana foram randomizados (versus placebo) para receber aspirina (81 a 100 mg/dia) por um período médio de 4 anos. Inesperadamente, não houve diferença na incidência de eventos cardiovasculares entre os grupos. Devemos apenas lembrar que este é um primeiro estudo em uma população muito específica e que a aspirina permanece ainda recomendada para todos os pacientes com DM.

Para terminar, deixo registrada uma sugestão bem interessante de leitura: Consensus Statement on the Diagnosis and Treatment of Children with Idiopathic Short Stature: A Summary of the Growth Hormone Research Society, the Lawson Wilkins Pediatric Endocrine Society, and the European Society for Paediatric Endocrinology Workshop, de Cohen e cols (JCEM 2008;93: 4210-17).





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