
Obesidade Infantil, PAAF de
Tireóide e Risco Cardiovascular
Mais uma vez, trazemos uma série de artigos que darão o
que falar e que, provavelmente, serão muito comentados
nos próximos congressos.
Tratamento de Obesidade na Infância
Para começar a coluna desta edição, resolvi comentar ao mesmo
tempo três artigos publicados na edição de dezembro do
Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Estes artigos, embora
sejam de um interesse especial para os endocrinologistas pediátricos,
merecem uma atenção especial de todos, por se tratar de um
assunto que tem nos preocupando cada vez mais. Os três artigos
são: Prevention and Treatment of Pediatric Obesity: An
Endocrine Society Clinical Practice Guideline Based on
Expert Opinion, de Gilbert August e cols (JCEM 2008;93:4576-
99); Treatment of Pediatric Obesity: A Systematic Review and
Meta-Analysis of Randomized Trials, de Lauren McGovern e cols
(JCEM 2008;93:4600-05); e Behavioral Interventions to Prevent
Childhood Obesity: A Systematic Review and Metaanalyses of
Randomized Trials, de Celia Kamath e cols (JCEM 2008;93:4606-
15). Dentre os comentários mais importantes apresentados neste
artigo, vale a pena ressaltar que os autores já recomendam terapia
farmacológica para crianças com comorbidades graves após insucesso
de medidas gerais. E também são apresentados critérios
específicos para o tratamento cirúrgico da obesidade em crianças e
adolescentes. Logicamente, grande valor é dado às medidas educacionais
e populacionais, visando mais uma redução global de risco do
que tratamentos específicos. Vale a pena, também, deixar registrada
a revisão publicada um mês antes, intitulada Recommendations for
the Diagnosis and Management of Prader-Willi Syndrome, de
Goldstone e cols (JCEM 2008;93:4183-97). Embora a Síndrome
de Prader-Willi seja uma entidade extremamente complexa, uma
das maiores dificuldades é o controle do peso destes pacientes.
“Approach to the Patient with a Cytologically Indeterminate
Thyroid Nodule”
Na mesma edição de novembro do JCEM, foi publicado um artigo
de revisão de um dos assuntos que eu considero mais controversos
dentro da endocrinologia: O que fazer com o paciente com Citopatológico
de PAAF indeterminado? Neste artigo, Erik Alexander
(JCEM 2008; 93:4175-82) discute as possíveis condutas para pacientes
com o tradicional “padrão folicular” ou “atípico”. O autor
discute que a estratificação de risco deveria ser realizada com base
em novas evidências clínicas, radiológicas e moleculares e que muitas
cirurgias poderiam ser evitadas se uma abordagem mais adequada
fosse realizada.
“Rosuvastatin to Prevent Vascular Events in Men and
Women with Elevated C-Reactive Protein”
Um dos estudos que entrará na lista dos mais importantes do ano
foi publicado por Paul Ridker e cols (NEJM 2008;359:2195-2207)
e refere-se ao tratamento de pacientes de baixo risco cardiovascular
com rosuvastatina: o estudo Jupiter. Nele, os autores incluíram mais
de 16000 pacientes com LDL colesterol menor do que 130 mg/
dL e Proteína C Reativa elevada. Embora fossem considerados
pacientes de baixo risco, o tratamento com rosuvastatina levou à
redução significativa de eventos cardiovasculares, levando, inclusive,
à interrupção do estudo. Dentre as muitas discussões levantadas neste
estudo, destacam-se: 1) Quais são realmente os valores normais do
LDL colesterol?; 2) Qual o valor da PCR na estratificação do risco
cardiovascular?; 3) Será que as atuais metas lipídicas são realmente
adequadas? Acredito que, dentro em breve, todo o consenso de
diagnóstico e tratamento das dislipidemias vá ser revisto e que mudanças
serão implantadas para uma melhor prevenção primária de
eventos cardiovasculares.
“Low-Dose Aspirin for Primary Prevention of Atherosclerotic
Events in Patients with Type 2 Diabetes. A Randomized Controlled Trial”
Um comentário rápido sobre este estudo publicado por Hisao Ogawa
e cols (JAMA 2008;300: 2134-2141). Neste estudo, que avaliou
aproximadamente 2500 indivíduos, pacientes com Diabetes Mellitus
sem Doença Arterial Coronariana foram randomizados (versus
placebo) para receber aspirina (81 a 100 mg/dia) por um período
médio de 4 anos. Inesperadamente, não houve diferença na incidência
de eventos cardiovasculares entre os grupos. Devemos apenas
lembrar que este é um primeiro estudo em uma população muito
específica e que a aspirina permanece ainda recomendada para
todos os pacientes com DM.
Para terminar, deixo registrada uma sugestão bem interessante de
leitura: Consensus Statement on the Diagnosis and Treatment
of Children with Idiopathic Short Stature: A Summary
of the Growth Hormone Research Society, the Lawson
Wilkins Pediatric Endocrine Society, and the European
Society for Paediatric Endocrinology Workshop, de Cohen
e cols (JCEM 2008;93: 4210-17).
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