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UM MÉDICO QUE JÁ NASCEU CURANDO
Na primeira vez em que entrou na
sala de anatomia da faculdade, ele teve a certeza de que seria cirurgião
Por Sandra Malafaia
“Esse vai ser médico: já nasceu operando!”
A frase foi dita por uma parteira,
em São João Del Rei – Minas Gerais,
quando ajudou a dar à luz o, então bebê, Rosino
Baccarini Neto. O motivo da afirmação foi o mioma
que a mãe expeliu junto com o menino que, anos mais
tarde, se tornaria o chefe da cirurgia do IEDE.
Segundo o Dr. Baccarini, a frase da parteira deve
ter contribuído para a escolha de sua profissão, mas a
certeza de que gostaria de se dedicar à cirurgia ficou
mais clara na primeira vez em que entrou na sala de
anatomia da faculdade de medicina. Em vez de sentir
um desconforto, que normalmente acomete os futuros
médicos, ele conta que achou aquela cena iluminada!
“Desde aquele momento, eu sabia que faria cirurgia”,
comenta o médico.
A Entrada no Instituto
O Dr. Baccarini começou a trabalhar
no IEDE em 1968. Na
época, não havia residência e,
dois anos após sua formatura,
em 1972, foi contratado pelo Instituto. “O IEDE
é como uma casa para mim. Uma vivência muito
boa”, diz, aproveitando para citar nomes de vários
colegas como José Schermann, Francisco Arduíno,
Luiz Cesar Póvoa, Júlio Foster, Jaime Rodrigues, Maurício
Barbosa Lima, Dionísio Teixeira, Antonio Carlos
Bonaccorsi, Arnold Preguer e (“com muito orgulho”)
Pietro Novelino, seu chefe na cirurgia, naquela época,
com o qual afirma ter aprendido muito.
Em 1978, o Dr. Baccarini deixou o IEDE e foi
trabalhar no Hospital Getúlio Vargas. Mas, em 1990,
voltou a convite do Dr. Ricardo Meirelles, diretor do
Instituto.
História Marcante
Ao ser indagado sobre uma história marcante em sua
trajetória no IEDE, o médico afirma que todas as
cirurgias são igualmente importantes. No
entanto, destaca o caso de um adolescente
com diabetes que, aos 16 anos de idade,
teve gangrena em uma das pernas.
Segundo o Dr. Baccarini, naquela
época (década de 70), não havia cirurgia
vascular e era ele quem fazia as amputações
no IEDE. Assim, na noite anterior à
operação, conversou com o paciente, que
chorou muito!
Solidário com a situação do rapaz, o
cirurgião prometeu a si mesmo que lhe daria uma
prótese. No entanto, não tinha condições financeiras
para isso. Quando fez aniversário, pediu de presente
a seus cinco irmãos uma quantia para ajudar nessa
tarefa. Eles aceitaram e a promessa foi cumprida.
“É muito gratificante saber que, hoje em dia, esse
menino já foi trocador de ônibus, comprou uma
barraca na feira e é pai de família. Isso nos deixa
forte!”, diz.
Há cerca de seis meses, o Dr. Baccarini sofreu um
acidente, que lhe causou um traumatismo craniano.
Ficou oito dias em coma e, para espanto dos médicos,
não sofreu seqüelas. “Talvez eu tenha recebido algo
bom de volta. Fui muito agraciado!”, comenta.
Aos jovens que estão pensando em fazer medicina,
ele aconselha: “Tenham calor humano e amor por
quem sofre. Só depois façam medicina”. |
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