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Por Rosane Kupfer

Mais uma classe de medicamentos orais para o tratamento do Diabetes tipo2?

Dra. Rosane KupferA absorção intestinal e a reabsorção renal de glicose são mediadas através dos transportadores de sódio-glicose. Os transportadores de glicose sódio dependentes, SGLT1 e SGLT2 são os principais transportadores de glicose no rim. O SLGT1 é expresso também no trato gastrointestinal, coração, músculo esquelético, fígado, pulmão e rim enquanto o SGLT2 é expresso praticamente apenas no rim. Mutações humanas no SGLT2 estão associadas com glicosúria renal familiar hereditária. Pacientes com DM2 tem um aumento da reabsorção tubular renal de glicose.

A Dapagliflozina é um inibidor do co-transportador renal de sódio-glicose (SGLT2), que está em fase final de investigação para uso no tratamento do Diabetes tipo 2.

Sua ação hipoglicemiante se dá através da inibição da reabsorção de glicose pelo rim, por inibir a ação do principal co-transportador renal de glicose (SGLT2), aumentando a excreção urinária de glicose.

A Dapagliflozina foi desenvolvida para ser altamente específica para este co-transportador, minimizando possíveis eventos adversos decorrentes da inibição de outros co-transportadores de glicose como o SGLT1 ( intestino delgado), GLUT 1 e GLUT4 (tecidos periféricos).

Esta nova droga, quando em monoterapia, não parece causar hipoglicemia. Apesar do mecanismo renal de ação, não foram observadas alterações de volume urinário ou de função renal nos primeiros estudos em humanos. Esta porém ainda é uma questão que preocupa: a longo prazo, será que uma droga que aumenta a glicosúria renal não causará lesão tubular?

Da mesma forma, não parece alterar o sódio sérico. Uma preocupação com o aumento da excreção de glicose na urina, é o aumento do risco de infecções do trato urinário e de micose vulvo vaginal. Nos estudos de fase 1 e 2, isto não foi observado. Aguarda-se a análise final dos estudos de fase 3.

Em relação ao controle glicêmico, espera-se uma ação moderada, com queda de A1c em torno de 0,7 a 1%, entretanto, acompanhado de uma leve redução do peso corporal.

Será que teremos esta nova classe de drogas inserida no arsenal de drogas para DM2? Para informação complementar sugiro a leitura do estudo que será publicado no Diabetes Care de julho/2009, que mostrará os resultados da associação de Dapagliflozina a metformina e insulina.




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