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Por Rodrigo Moreira

Oftalmopatia de Graves, Resistência a Insulina, Terapia de Reposição Hormonal e Aleglitazar

Rodrigo O. MoreiraNo meio da enxurrada de artigos que vem sendo publicados sobre a gripe causada pelo Influenza H1N1, fica até difícil encontrar artigos nas grandes revistas de clínica. Mas como a endocrinologia vem crescendo cada vez mais, continuam a aparecer artigos importantes e controversos semanalmente. Separei alguns que considerei muito importantes abaixo.

“Treatment Modalities for Graves’ Ophthalmopathy: Systematic Review and Metaanalysis”

A pouco tempo comentei sobre um artigo publicado sobre o tratamento da Oftalmopatia de Graves (OG). É interessante ver que, mesmo tendo sido publicadas algumas revisões recentes sobre o assunto, um artigo novo sempre é bem vindo. Nesta revisão sistemática publicada por Stiebel-Kalish e colaboradores (JCEM 2009;94(8):2708-16), os autores avaliam 33 artigos envolvendo 1367 pacientes com OG. O objetivo era avaliar diferentes modalidades de tratamento para essa importante complicação da Doença de Graves. Os autores concluem demonstrando que a utilização de corticoterapia endovenosa apresenta resultados estatisticamente significantes, embora a associação de radioterapia com corticóides pareça ter uma efeito mais favorável que a utilização de corticóides orais isoladamente. Outra opção que mostrou-se válida são os análogos da Somatostatina, porém com resultados limítrofes.

“Hormone Therapy and Ovarian Cancer”

Mais um artigo para “botar lenha na fogueira” na discussão sobre riscos e benefícios da Terapia de Reposição Hormonal (TRH) na mulher peri- e pós-menopausa. Na edição de 15 de Julho do Jornal of the American Medical Association (JAMA 2009;302(3):298-305), Lina Steinrud Mørch e colaboradores apresentam um estudo de coorte envolvendo mais de 900.000 mulheres com história de ooforectomia bilateral ou sem história de câncer hormônio-dependente. Embora o artigo apresenta uma série de limitações que serão possivelmente discutidas nos próximos congressos, as conclusões dos autores são extremamente impactantes: independente da duração do tratamento, tipo de formulação, dose do estrogênio, tipo de progestina e rota de administração, a TRH esteve associada a um aumento no risco de câncer de ovário. Existe aproximadamente 1 caso extra de câncer de ovário para cada 8300 mulheres fazendo TRH a cada ano. Com certeza, um artigo que merece ser amplamente revisado e discutidos por aqueles que trabalham com TRH.

“Effect of the dual peroxisome proliferator-activated receptor-alpha/gamma agonist aleglitazar on risk of cardiovascular disease in patients with type 2 diabetes (SYNCHRONY): a phase II, randomised, dose-ranging study”

Embora tenhamos ficado muito desapontados com os resultados do Muraglitazar, as pesquisas com os Agonistas duplos PPAR-alpha/gama ainda continuam. Na edição de 11 de Julho do Lancet (374(9684):126-135), o Dr. Robert Henry e colaboradores publicaram os resultados do estudo SYNCHRONY avaliando 332 pacientes com Diabetes tipo 2 tratados por 16 semanas. Embora sejam resultados de um estudo de curta duração (e os autores deixam isso bem claro em suas conclusões), os resultados apontaram uma redução significativa nos níveis de hemoglobina glicada, triglicérides e LDL colesterol, além de um bom perfil de segurança. São resultados que encorajam estudos com essa classe de medicação e que mostram que os Agonistas duplos PPAR-alpha/gama ainda continuam uma opção para o futuro.

“Erradication of Insulin Resistance”

Para terminar esta coluna, estava passando o olho pelas edições antigas do Lancet (374:264) quando o título de um relato de caso me chamou a atenção: Erradicação da Resistência a Insulina. Achei o título altamente provocativo e fui logo ver do que se tratava o artigo. Os autores relatam um paciente com quadro de Diabetes Mellitus secundário a Síndrome de Resistência a Insulina tipo B (presença de anticorpos anti-receptor da insulina, bloqueando sua ação). Após investigação, foi identificada também a presença de Púrpura Trombocitopênica Imune e de Helicobacter Pylori. Os autores iniciaram esquema para erradicação do H. Pylori e, após 6 meses, houve completa normalização da glicemia e da hemoglobina glicada. Os autores sugerem que o H. Pylori pode estar envolvido no mecanismo fisiopatológico da Síndrome de Resistência a Insulina tipo B.




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