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DORIS ROSENTHAL RECEBERÁ
PRÊMIO JOSÉ SCHERMANN

Dra. Dóris Rosenthal, homenageada do XXXVIII Encontro Anual do IEDEPrimeira mulher a ser indicada para o Prêmio José Schermann desde sua criação, em 2004, a endocrinologista Doris Rosenthal será a homenageada em 2009 – durante o XXXVIII Encontro Anual do IEDE - pela enorme contribuição à sua especialidade. Há algumas décadas dedicada à área de fisiologia endócrina, mais ligada à tireoide, ela vem deixando sua marca em diversas entidades e profissionais, principalmente através da pesquisa e do ensino. O Diretor do IEDE, Dr. Ricardo Meirelles, comenta que a indicação da Dra. Doris Rosenthal fez justiça a seu trabalho. “Ela realmente era a pessoa que precisava ser lembrada, pois tem uma trajetória dentro do IEDE extremamente importante”.

Aposentada há poucos anos, mas mantendo-se ativa – dá aulas regularmente em cursos de graduação e pós, sendo “meio pesquisadora, meio consultora” – a Dra. Doris diz que sua carreira profissional, que inclui o trabalho no Instituto de Biofísica da UFRJ, teve início muito antes de ser cogitada a criação do IEDE. Ela começou a trabalhar no Hospital Moncorvo Filho por volta de 1955/1956, antes mesmo de se formar.

Medicina Nuclear

Ali, a partir do início dos anos 60, teve grande participação no desenvolvimento - com Luis Carlos Lobo e Jacques Fridman - do Serviço de Medicina Nuclear, “na parte mais diretamente envolvida com tireoide”. Seu fundador, enfatiza, “foi Eduardo Pena Franca”, mas foi ela quem ficou mais tempo no Serviço. O Dr. Ricardo Meirelles comenta o trabalho pioneiro: “foi o primeiro serviço público de Medicina Nuclear no Rio de Janeiro, extremamente importante para o desenvolvimento do próprio Instituto, em termos de tireoide”.

Alguns anos depois desta etapa, conta a especialista, ela acompanhou “a luta do Francisco Arduíno e do Jaime Rodrigues para criar o Instituto”. Entre os quatro grandes mestres que marcaram muito sua carreira, Jaime Rodrigues tem lugar cativo: “Era um sujeito excepcional, uma cabeça privilegiada e um professor fora de série”, afirma.

Sobre o Ambulatório de Tireoide do IEDE, conta que participou dele enquanto esteve no Instituto – mais ou menos até 1980. Esclarece que colaborou muito e deu “muita bronca. Ensinei muito, mas não chefiei”. Lembra particularmente de um estudo desenvolvido por um grupo de endocrinologistas, principalmente latino-americanos (“chefiado por John Stanbury”) sobre bócio endêmico. Este grupo, segundo a especialista, foi o embrião da Sociedade Latino-Americana de Tireoide (LATS), da qual ela foi vice e presidente e pela qual foi agraciada com o Prêmio LATS em 1997.

E se o assunto é prêmio, ela revela um carinho especial pelo que recebeu no Encontro Brasileiro de Tireoide, recentemente. Foi o primeiro concedido pelo evento. Diz que considera o EBT como um filho, “com uma mãe e dois pais”, pois foi criado por causa do interesse que ela e os Drs. Rui Maciel e João Romaldini tinham no assunto. “Sentíamos muita falta de intercâmbio, de gente nova mostrando trabalhos”.

Nódulo Quente

Ela recorda, com bom humor, que durante muito tempo em sua carreira foi conhecida como “Madame Nódulo Quente”, por sua tese de doutorado, pesquisas e trabalhos sobre o tema, incluindo os que orientou. “Tive a oportunidade de começar a estudar algo que estava no começo. Acho que no Brasil sou a pessoa que mais estudou o assunto. Fui me enfronhando na bioquímica, na fisiologia da HOMENAGEMtireoide, nos mecanismos que levam à formação dos hormônios, e que desvios destes mecanismos podem originar as diversas doenças”. E seguiu em frente, estudando a inter-relação entre insulina e atividade tireoidea, a mecânica da formação dos hormônios tireoideos, alterações que o envelhecimento e/ou a diminuição dos hormônios gonadais produzem na função da tireoide etc.

Atualmente integra uma grande equipe que leva adiante vários estudos no Laboratório de Fisiologia Endócrina, do Instituto de Biofísica da UFRJ. “Temos em andamento um estudo sobre a parte molecular de nódulos tireoideos, inclusive de câncer; temos um grupo que trabalha com obesidade e exercícios, e outros. Procuro estar em dia com tudo”, comenta.

Perguntada sobre planos, diz que a única coisa que “efetivamente ainda quero é ser útil. Dou tudo que tenho: experiências, idéias, orientações. Mas não me vejo de pijama”.

Sobre o anúncio de que receberá o Prêmio José Schermann, comenta que ficou “muito tocada”. Lembra que o IEDE já lhe fez “vários reconhecimentos, homenagens. É muito bom. Fica-se com a impressão de que valeu a pena, de que fizemos alguma coisa”. As palavras do Dr. Ricardo Meirelles confirmam: “A Doris é uma pessoa extremamente séria, com uma bagagem de conhecimento muito grande, muito ética e profissional. Foi um excelente exemplo para nós, que pudemos conviver e aprender com ela”. E finaliza: “O Schermann e a Doris fazem parte da constelação do IEDE”.




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