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“MEU UMBIGO ESTÁ ENTERRADO AQUI”

Por Beth Santos

Dra. Laura SoaresA princípio, a definição da Dra. Laura Soares sobre o IEDE poderia parecer apenas força de expressão: “É um lugar onde a gente quer ficar, mesmo trabalhando de graça”. Mas seu depoimento não deixa dúvidas: ela está no IEDE - entre estudo e trabalho - há mais de 30 anos, não contínuos, sem nunca ter entrado oficialmente para o seu quadro de funcionários. Isto mesmo. Entre algumas idas e vindas, ela atua ali desde 1973 (ano em que se formou) sem receber qualquer remuneração.

Naquele início da década de 70, o IEDE já começava a formar uma boa reputação em Endocrinologia, a especialidade de escolha da recém formada Dra. Laura. Foi conversando com os Drs. Raul e Luiz Cesar que garantiu sua vaga no Curso de Especialização, pois ainda não havia prova. Como bons mestres, cita os Drs. Schermann (“que ninguém esquece”), Álvaro Machado, Maria Orlanda e Leão Zagury e Francisco Arduino.

Fuga e Vergonha

Dos colegas de curso, lembra de poucos – “o Conceição, o Bruno (do Pará), a Adriana Forti, a Ângela Funk Peres. Ela explica por quê: casada, com filhos “e marido ciumento”, não dava para ter vida social com a turma. Ao se interessar pelo mestrado, esbarrou na norma do Dr. Póvoa: ‘você não teve média 8’. Laura confessa que ficou com tanta raiva – sua média foi de 7,8 - que desapareceu do IEDE. Foi trabalhar na Santa Casa, chefiada pelo Dr. João Gabriel Cordeiro.

Em 1976, voltou ao IEDE e fez, finalmente, o mestrado, a convite do Dr. Povoa. “A raiva havia passado”, comenta. Nova fuga: “eu era tão medrosa que na época da tese fui embora, sumi”. Ficou envergonhada, foi para o Hospital São Francisco de Assis e lá, novamente, surgiu a oportunidade de reiniciar o mestrado, “mas tinha que fazer as cadeiras básicas...no IEDE!”. Não foi. “Me senti perdida, sem saber o que fazer, e me afastei da Endocrinologia. Fiquei só com o consultório, tentando emagrecer mulheres
gordas”.

A Decisão

Como estudara balé por 16 anos, chegou a pensar em abandonar a Medicina. Pensou também em fazer jornalismo. Um dia teve que ir ao IEDE e acabou assistindo a uma sessão clínica. A decisão correta ficou clara. “No mesmo dia fui conversar com Luiz Cesar”. Resultado: recomeçou o curso da pós, como ouvinte, para se reciclar. Era 1986. “Voltei para a Endocrinologia e fiquei aqui até hoje”, comenta. Mas complementa, em seguida: “Fiquei aqui, mas não sou daqui”. O que significa que – como foi dito no início – ela nunca se tornou oficialmente funcionária do Instituto. “Sou uma agregada, como diz Dr. Ricardo. Tenho como sobreviver, sem precisar ganhar dinheiro com a Medicina”, diz com simplicidade.

Trabalhou alguns anos no Ambulatório de Tireoide (“com o Álvaro, a Jane e a Lívia”) e, em seguida, no de Hipófise, com a Dra. Maria Orlanda. Foi para o Ambulatório de Endocrinologia Feminina, de onde saiu acompanhando a Dra. Amanda, em 1999. Em seguida, assumiu a Presidência da ASSEX. Nos últimos anos, está na coordenação da Comissão de Ética e Pesquisa. Se lhe perguntam o que a atrai tanto no IEDE, responde sem pensar: “o convívio com essas pessoas, a troca de informações, as amizades e as atividades científico-sociais”. Diz que está ali porque gosta. “Acho que não escolheria outro lugar para ficar. Aqui há um hospital completo de atendimento, com um pessoal que sabe. Uma estrutura grande. Na realidade, meu umbigo está enterrado aqui”, conclui.

Eu Sou o IEDE

1 - Porque você escolheu a Endocrinologia como especialidade?
Quando cheguei ao sexto ano fiz uma retrospectiva de todo o meu curso médico do primeiro ao último ano. Do que eu havia gostado mais? Fisiologia, fisiopatologia e bioquímica no curso básico e, na clínica médica, os pacientes portadores de doenças endócrinas. Como escolher outra especialidade?

2 - Porque você escolheu o IEDE?
Era, e ainda é, o local de referência para o aprendizado e aperfeiçoamento da Endocrinologia.

3 - Qual a sua área de atuação de maior interesse dentro da Endocrinologia? Por que?
Endocrinologia Feminina, Obesidade e Magreza. Não há um porquê; é uma questão de gosto pelo estudo.

4 - Cite um evento marcante pra você dentro da Endocrinologia. Explique o por quê.
O Prêmio Nobel dado ao Dr. Andrew Schally, amigo do IEDE, pela descoberta e síntese do LHRH, que abriu novas portas para a Endocrinologia.

5 - Cite um endocrinologista que tenha influenciado sua carreira. Cite três coisas que você admira nesta pessoa e porque ela te influenciou.
Na verdade, não houve um endocrinologista que tenha influenciado na escolha da minha carreira. Uma vez no IEDE, o Luiz Cesar Póvoa, sem dúvida alguma, foi quem mais me incentivou e apoiou.

6 - Quem é o endocrinologista de renome internacional que você considera mais importante na sua área. Por que?
Novamente o Dr. Andrew Schally que, para mim, foi o primeiro mais importante; a ele seguiram-se vários outros.

7 - Descreva o IEDE em uma frase.
O IEDE é um vício que faz bem.




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