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Por Rodrigo Moreira

Controvérsias no Tratamento da Hiperprolactinemia, Preço de Alimentos e Controle Glicêmico

Rodrigo O. MoreiraNesta edição do jornal, resolvi comentar alguns artigos bem diferentes que chamaram minha atenção nestes dois últimos meses. Vocês verão que dois deles discutem alguns aspectos bem interessantes do tratamento da hiperprolactinemia e os outros aspectos envolvendo o tratamento da obesidade e do Diabetes Mellitus. Boa leitura!

“Recurrence of Hyperprolactinemia after Withdrawal of Dopamine Agonists: Systematic Review and Meta-Analysis” e “Potential Cardiac Valve Effects of Dopamine Agonists in Hyperprolactinemia”

Para os que gostam de Neuroendocrinologia, dois artigos publicados respectivamente em Janeiro e Março no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism darão muito que falar. No primeiro artigo, Olaf Dekkers e cols (JCEM 95[1]:43-51) fizeram uma revisão sistemática e meta-análise para avaliar o efeito nos níveis plasmáticos de prolactina da retirada dos Agonistas Dopaminérgicos (AD) após tratamento de hiperprolactinemia idiopática e prolactinoma. Os autores demonstraram que apenas um pequeno número de pacientes (em torno de 20%) permanece com níveis normais de prolactina após a retirada dos AD. Parece que tanto a utilização por um período maior de tempo (pelo menos 2 anos) e o uso da cabergolina foram dois dos fatores que se associaram a manutenção dos níveis normais de prolactina. Esta revisão provavelmente ajudará a definir o tempo mínimo de tratamento destes pacientes. Por outro lado, o artigo publicado por Elena Valassi (JCEM 95[3]:1025-1033) apresentou uma possível precaução sobre o uso dos AD. Também através de uma revisão sistemática, os autores investigaram o risco de lesão valvar cardíaca com os ADs. Os autores concluem que, embora a maioria dos estudos não consiga correlacionar o uso dos AD com alterações valvares, os médicos devem ter precauções (incluindo monitorização com ecocardiograma em indivíduos selecionados) com a prescrição destes medicamentos por longos períodos e altas doses. Acredito que a combinação das conclusões destes dois artigos trará muitas discussões no próximo Simpósio Internacional de Neuroendocrinologia (SINE). Não perca!!!

“Food Price and Diet and Health Outcomes - 20 Years of the CARDIA Study”

Um artigo bem diferente chamou minha atenção na edição de março do Archives of Internal Medicine (Arch Intern Med 170[5]:420-426). Normalmente, comentamos sempre sobre a eficácia de diferentes tipos de dietas sobre a obesidade e risco cardiovascular. Mas dificilmente consideramos o custo dessas dietas e como isso pode interferir na prevalência e no tratamento da obesidade. Kiyah J. Duffey e cols fizeram diferente. Os autores fizeram uma sub-análise dos resultados do estudo CARDIA (Coronary Artery Risk Development in Young Adults) envolvendo preço de alguns produtos e chegaram a algumas conclusões em interessantes. Pode parecer engraçado, mas os autores demonstraram que para cada aumento de $1.00 no preço de refrigerante ou pizza, existe uma associação com menor ingesta calórica diária, menor peso corporal e menor HOMA-R. Estes resultados aparecem tanto considerando estes dois alimentos juntos como separados. Parece que uma maneira interessante (e controversa) de conter a epidemia de obesidade seja dificultando o acesso a produtos notadamente ligados ao ganho de peso e risco cardiovascular. Será que alguém toparia?

“Survival as a function of HbA1c in people with type 2 diabetes: a retrospective cohort study”

Finalmente, um artigo para aumentar ainda mais a discussão sobre o controle glicêmico no Diabetes Mellitus. Nos últimos anos, grandes discussões vêm ocorrendo sobre o risco cardiovascular e sua relação com controle glicêmico. No artigo publicado no Lancet em Fevereiro (Lancet 375[9713]:481-489), Craig Currie e cols colocam mais lenha na fogueira. Através de uma análise de dados do UK General Practice Research Database envolvendo quase 28.000 pacientes, os autores confirmam que níveis elevados de HbA1c se correlacionam com mortalidade e eventos cardiovasculares. Até aí, nenhuma grande novidade. O problema foi que os autores também comprovaram que níveis muito baixos de HbA1c também se correlacionam com aumento de mortalidade e eventos cardiovasculares. Os autores terminam propondo que os Guidelines de tratamento do DM deveriam ser revistos para que fosse adicionado também um limite inferior para a HbA1c. Pelo visto, o tratamento de nosso pacientes com DM vai ficar cada vez mais complicado.




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