INICIANDO A INSULINIZAÇÃO NO PACIENTE COM DIABETES TIPO 2
Por Rosane Kupfer
Dados alarmantes de mau controle metabólico já não nos surpreendem mais. Mesmo após vários estudos mostrarem de forma inequívoca a real necessidade de manter o controle da glicemia para a prevenção das complicações microvasculares e macrovasculares, o que vemos é uma massa de pacientes longe do controle desejado.
Diversos são os motivos no nosso meio, mas a hesitação médica em insulinizar o paciente ainda predomina. Estudos mostram que as metas glicêmicas devem ser individualizadas. São candidatos ao controle mais intensivo pacientes com diabetes de curta duração, expectativa de vida longa e ausência de doença cardiovascular prévia. Aqueles com história de hipoglicemia grave, expectativa de vida limitada, complicações micro ou macrovasculares avançadas, comorbidades graves, diabetes lábil de longa duração com alto risco de hipoglicemia devem ter metas mais flexíveis.
Quando não há controle com as mudanças de estilo de vida (MEV) associadas ao uso de hipoglicemiantes orais (HOs), associar insulina deve ser considerada uma opção em nosso meio. As principais barreiras são o ganho de peso e a hipoglicemia. Estudos mostram que a melhor forma de iniciar insulina nestes pacientes é administrando uma insulina de ação intermediária ou análogo de longa duração que terá a função de insulina basal, em geral à noite, em 1 injeção. O objetivo é o controle da glicemia de jejum pela redução da gliconeogênese hepática e pela captação de glicose pelo músculo. Dessa forma os HOs que são mantidos podem exercer seu efeito na modulação da secreção de insulina às refeições. Até 60% dos pacientes podem atingir uma HbA1c < 7% com esse esquema, com menos hipoglicemia e menor ganho de peso do que com os esquemas mais intensivos utilizados. A dose inicial pode ser de 10 Ui (ou 0,2 Ui/ kg) SC a noite, seguida de ajuste semanal, ou a cada 3 dias, utilizando a média dos últimos 3 dias da glicemia capilar de jejum. Para evitar hipoglicemias graves, este ajuste deve ser adiado se houver glicemia < 70 mg/dl, além de também ser mais seguro reduzirmos a dose de insulina em 2 ou 4 unidades. A reavaliação da HbA1c deverá ser feita em 8 a 12 semanas. |
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