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Por Leonardo Boff

"DE MÉDICO E LOUCO CADA UM É UM POUCO..."

Por volta dos anos sessenta a Academia tornaria a expiar nova fase de dificuldades.

Desta vez não havia sequer candidatos as vagas abertas no quadro de titulares. Um dos candidatos admitidos fora um doente mental, o médico José Luiz da Costa, egresso do Hospício D. Pedro II, onde, por várias vezes, tentara o suicídio. Ao candidatar-se à academia escolhera para tema da sua memória a "Loucura como alteração das Forças da Matéria" na qual faz a auto-observação da sua doença, reconstituindo- -a através dos delírios e alucinações que o dominavam. Eleito membro titular em 1861, a sua primeira decisão foi apelar para a Academia pleiteando a anulação do casamento a que fora coagido, pois na ocasião em que o fizera estava louco e consequentemente irresponsável. Na época, sob a presidência do Conselheiro Antônio Félix Martins, Barão de São Félix, a academia preferiu se omitir cautelosamente deixando que o tempo se encarregasse de mergulhar nas trevas aquela conturbada existência que só findaria em 1887, merecendo de Francisco de castro generosa referencia.

Seria exatamente José Luiz da Costa a quem caberia relatar as questões formuladas por Jobim à Academia solicitando o seu pronunciamento sobre a conveniência de se modificar o ciclo curricular nas faculdades de Medicina do Rio e Bahia, com vistas não só à criação de novas escolas como ainda à formação de maior número de médicos de cuja falta tanto se ressentiam as Províncias para assistir às precárias condições de saúde de suas populações. Essa abertura para a discussão da matéria fora motivada pelo ofício, datado de 16 de outubro de 1861, dirigido, em forma de consulta, à diretoria da Faculdade pelo Ministro do Império. Com base no Regulamento, baixado a 29 de setembro de 1851, que prevê a existência de oficiais competentes aprovados para fazerem às vezes de Boticário, e e reconhecendo a grave insuficiência de pessoal habilitado tanto para atender às necessidades farmacêuticas como também às medicas e obstétricas, muito especialmente, no interior das Províncias, o Governo Imperial desejava saber quais as providencias a tomar a fim remediar a situação que se vinha agravando com a crescente redução de diplomados pela Faculdade. Antes de 1854, ano da última reforma do ensino médico, atingia a 40, em média, a relação dos graduados pelas Faculdades do Rio e da Bahia. Tomando-se como referência o presente ano de 1862, esse número, também em termos médios, decresceu para 6, ou sejam: 12 médicos formados por ambas as Faculdades. A esse respeito, acreditava Souza Costa que a reforma de 1854 ao aumentar as matérias preparatórias e exigir maior rigor nos seus estudos, afugentara os aspirantes ao exercício da Medicina. Ao contrário, nas Faculdades de Direito de São Paulo e Recife fora sensível o aumento de candidatos.




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