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REPERCUSÕES DA RETIRADA DA ROSIGLITA ZONA DO MERCADO

por Amélio F. Godoy-Matos

Amélio F. Godoy-MatosDesde a última edição desse boletim, apenas uma grande novidade, com repercussão no Serviço, surgiu no mundo da metabologia: a retirada da Rosiglitazona do mercado europeu e brasileiro. Aparentemente, esta não seria uma notícia a ser aqui debatida. Acontece, porém, que alguns dos nossos pacientes lipodistróficos fazem, fizeram ou fariam uso deste medicamento. Como são pacientes com grande resistência à insulina, a maioria com Diabetes de difícil controle, este medicamento era extremamente útil no manejo destes casos. De fato, hoje, apenas 2 semanas após a notícia da retirada do mercado europeu, muitos pacientes que estavam bem controlados (aqui no serviço e pacientes diabéticos da clínica particular de muitos de nós) tiveram que trocar de medicamento. Doloroso foi perceber que a maioria absoluta estava muito bem controlada! Repercusões da Retirada da Rosiglita zona do Mercado Mais ainda, que não apresentaram qualquer complicação com a medicação. Sei que uma amostragem individual, e de um Serviço com um número reduzido de pacientes com poder aquisitivo para usá-lo, não pode servir como argumentação científica. Mas, como não estou fazendo afirmações estatísticas, ou fruto de estudo controlado, e sim uma afirmação puramente observacional, fico confortável. Afinal, o que determinou a retirada do medicamento não foi nada mais nada menos do que afirmações baseadas em estudos observacionais ou de uma metanálise mal feita e tendenciosa.

Resta-nos, porém, a pioglitazona. Creio que os benefícios desta são semelhantes. Também espero que as especulações que já surgiram sobre a segurança da pioglitazona não a leve ao mesmo destino da sua contra-irmã ( não posso dizer que eram co-irmãs!). Por isso, estamos pleiteando ao laboratório que a comercializa que disponibilize alguma quantidade para atender alguns pacientes. Aliás, outro laboratório já ofereceu outro medicamento de outra classe que pode nos ajudar a melhor controlar os pacientes mais necessitados.

Assim vamos continuando com o tratamento de nossos pacientes. Como temos um Ambulatório com pacientes com doenças raras e graves (como as lipodistrofias), vamos contando com o apoio de algumas industrias farmacêuticas para que possamos manter um controle adequado destes pacientes. Como alguns destes medicamentos são de um custo elevado e ainda não disponíveis na rede pública, este apoio é essencial. E vamos aguardando as próximas "bombas" envolvendo medicamentos que utilizamos, como, por exemplo, as novidades com sibutramina. Mas isso fica pra próxima coluna.




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