Por Rodrigo Moreira
Andrologia, Endocrinologia Feminina e Deficiência de Vitamina D
Na última edição, acabei ficando sem espaço no Jornal para minha coluna. Então, tenho muita coisa o que comentar. O final de ano foi rico em excelentes revisões, todas com foco na prática diária de consultório e em assuntos extremamente controversos. Além disso, vou fazer uma homenagem aos últimos Encontros do IEDE, que tiveram como foco principal da programação a Endocrinologia Feminina e a Andrologia, e apresentar alguns artigos bem interessantes sobre o assunto. Sem mais delongas, vamos a elas....
"Approach to the Patient with Gynecomastia" e "Why Is Androgen Replacement in Males Controversial?"
Para aqueles que são interessados em Andrologia, a edição de Janeiro de 2011 do Journal do Clinical Endocrinology and Metabolism (JCEM) trouxe dois artigos bem interessantes e, principalmente, práticos sobre o assunto. A primeira revisão, publicada numa seção chamada Approach to the Patient (já indicando o caráter prático do artigo), foi publicada por Harold Carlson (JCEM 2011;96:15-21) e discute desde a investigação ao tratamento do paciente com Ginecomastia. Embora este não seja um paciente tão comum na prática diária, ele normalmente exige uma investigação minuciosa e um tratamento que permita uma regressão adequada de seu quadro clínico. No outro extremo, os autores Glenn R. Cunningham e Shivani M. Toma apresentam uma excelente discussão sobre um tema bastante controverso (e eles deixam isso claro ainda no título do artigo): a reposição androgênica em homens (JCEM 2011;96:38-52). Os autores apresentam que, embora os benefícios da reposição com androgênios em pacientes com sintomas e níveis baixos de testosterona sejam evidentes, ainda existem riscos não muito bem determinados e que estes pacientes precisam ficar sob uma monitorização cuidadosa por seus médicos. "Update in Hormone Therapy Use in Menopause" e "Efficacy of Escitalopram for Hot Flashes in Healthy Menopausal Women. A Randomized Controlled Trial"
Saindo da Andrologia e partindo para a Endocrinologia Feminina, a edição de Fevereiro de 2011 do JCEM apresenta um artigo OBRIGATÓRIO sobre Terapia de Reposição Hormonal. Os autores Hugh S. Taylor and JoAnn E. Manson apresentam uma excelente revisão e, mais importante, uma excelente atualização sobre a Terapia Hormonal na mulher menopausada, incluindo novas opções que estão para serem lançadas e as recentes publicações que sugerem que possa existir uma relação entre reposição hormonal e câncer de pulmão e ovário (JCEM 2011;96:255-264). Falando em novas opções, vale a pena dar uma olhada no artigo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA 2011;305[3]:267- 274) por Ellen W. Freeman e colaboradores. Os autores apresentam os resultados de um ensaio clínico randomizado que avaliou os efeitos os escitalopram sobre os fogachos em mulheres pós menopausa. Após 08 semanas de tratamento, os autores puderam demonstrar uma melhora na freqüência e na gravidade dos sintomas em relação ao placebo. Mais uma opção que poderemos utilizar no futuro para o tratamento da mulher menopausada.
"Vitamin D Insufficiency" e "The 2011 Report on Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D from the Institute of Medicine: What Clinicians Need to Know"
Mudando agora de assunto, 02 artigos foram publicados em revistas diferentes, mas que, de certa forma, são interligados. No primeiro, publicado no New England Journal of Medicine, o autor Clifford J. Rosen faz uma excelente revisão sobre um dos grandes assuntos da atualidade: a deficiência de Vitamina D (NEJM 2011;364:248-254). O autor apresenta um quadro clínico de uma mulher de 61 anos com uma densidade óssea de – 1.5 (T-Score) no fêmur e níveis de 25(OH) Vitamina D de 21 ng/dL. Com base no quadro clínico, o autor apresenta uma pequena revisão sobre a vitamina D e a "saúde do osso" e sobre outras ações da Vitamina D, discute a abordagem e, principalmente, discute se esta paciente necessita ou não de suplementação de Vitamina D. Garanto que as conclusões finais do autor são surpreendentes e muito interessantes (e, logicamente, controversas). Ainda na mesma linha, foi publicado no JCEM (JCEM 2011;96:53-58) uma Comentário sobre o diagnóstico de Deficiência de Vitamina D. Os autores discutem a necessidade crescente de uma padronização para pontos de corte para 25(OH) Vitamina D, de modo a evitar tanto tratamento inadequados (tanto para mais como para menos) por parte dos médicos. Para terminar, não posso deixar de comentar sobre duas revisões de dois assuntos extremamente comuns na nossa prática diária: hiperprolactinemia e gota. Em relação ao primeiro, foi publicado pelo Dr. Shlomo Melmed e colaboradores (JCEM 2011;96:273-288) os Guidelines da Endocrine Society para diagnóstico e tratamento da hiperprolactinemia:
"Diagnosis and Treatment of Hyperprolactinemia: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline".
Em relação a Gota, vale a pena dar uma olhada no artigo publicado por Tuhina Neogi intitulado "Gout" no NEJM 2011;364:443-452. Assim como o artigo que comentei acima sobre a Deficiência de Vitamina D, o autor apresenta o caso clínico de um paciente com 54 anos e história de gota, discutindo aspectos relacionados tanto ao tratamento da crise como da hiperuricemia.
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