GORDURA PARA TRATAR A SINDROME DE TENSÂO PRÉ-
MENSTRUAL?
Texto escrito pelo Dr. Ney Cavalcanti para Folha - PE e publicado em 05 de Fevereiro de 2011
A síndrome da Tensão Pré- Menstrual, é uma condição extremamente freqüente e controvertida. Algumas estatísticas mostram que mais de 70% das mulheres durante a fase da vida que são férteis, apresenta pelo menos, alguns dos sintomas da síndrome. A condição é definida como um conjunto de sintomas físicos e ou psíquicos que acontecem na 2ª metade do ciclo menstrual. Geralmente desde o 12ª dia que antecede a menstruação.
Esses sintomas desaparecem logo nos primeiros dias de sangramento, mas voltam a ocorrer nos ciclos seguintes. São descritos muitos sintomas, dezenas. Desconforto mamário, sensação de inchaço, tristeza algumas vezes com idéias suicidas, ansiedade, pânico, choro fácil, irritabilidade, insônia, aumento ou a aversão de atividades sexuais, dificuldade da concentração, dores articulares, cefaléia e apatia são alguns deles. Felizmente, na maioria das mulheres, eles não são numerosos e nem muito intensos. No entanto, em algumas delas, a intensidade sintomática é tão intensa que prejudica seriamente as suas atividades com a família e com o trabalho.
A Tensão Pré-Menstrual é referida como causa de desentendimentos graves entre os casais, e até de demissões trabalhistas. Inclusive, por se temer que as mulheres quando por ela a acometidas, diminuíssem as suas capacidades de julgamento, a admissão delas como juízes, chegou a ser contestada. Vários casos de suicídios são também a ela atribuídos. Apesar de usa elevada prevalência, a síndrome não é reconhecida como uma doença pela Organização Mundial de Saúde nem pelos países europeus. Na Europa, é considerada como manifestação de psicopatia e, como tal, deve ser tratada.
Qual mecanismo que leva a ela ocorrer?
A primeira suspeita é de que sua origem fosse hormonal. Afinal, diferente do sexo masculino, em que a secreção dos hormônios sexuais é igual a todos os dias do mês, na mulher, existem diferenças significativas. Na primeira metade do ciclo, a produção ovariana é caracterizada pela produção de estrógenos. Após a ovulação, a secreção dominante é de outro hormônio, a progesterona. Seria obvio se suspeitar que as portadoras de síndrome tivessem um padrão de secreção ovariana, diferente das que não apresentassem o problema. No entanto, até os dias de hoje, em que pese o grande numero de pesquisas realizadas, não se demonstrou nenhuma alteração de secreção hormonal ovariana nos portadores da síndrome. E por conta disso, não existe nenhum exame laboratorial que possa ser utilizado se firmar o seu diagnóstico.
É só através da historia clinica que se pode diagnosticar uma portadora. Como não se conseguiu demonstrar o mecanismo exato da sua etiologia, existem muitas hipóteses. Na quase totalidade, delas tenta se explicar que nas mulheres acometidas ocorreria por uma resposta periférica anormal, dos diversos órgãos, a níveis hormonais normais. Isto, então, poderia causar funcionamento alterado no cérebro, nas adrenais, nos rins, no metabolismo do cálcio e zinco, etc... Outros imputam a deficiência da vitaminas E, B6 etc.
Existem ainda os que defendem que a síndrome decorre de problemas psicológicos. Por conta disso, existem inúmeros tratamentos propostos. Pílulas anticoncepcionais, antidepressivos, anti-inflamatórios, diuréticos, vitaminoterapia, psicoterapia, acupuntura, homeopatia, etc. Os dois primeiros são mais usados e os que demonstram maior eficácia .
Recentemente, uma pesquisa sobre o tema na Universidade Federal de Pernambuco foi publicada em uma importante revista internacional: Reproductive Health. Os pesquisadores basearam-se nos fatos de que a administração de prolactina, hormônio produzido pela hipófise, em mulheres, simula a sintomatologia da síndrome. Também já havia conhecimento prévio que algumas gorduras bloqueiam a ação periférica daquele hormônio ao nível dos órgãos.
Administraram então, diariamente, cápsulas contendo 2 gramas de um tipo especial de gordura: ácidos graxos essenciais. Estas substâncias existem na dieta, porém em quantidades diminutas. A pesquisa avaliou as pacientes durante 6 meses e as mulheres que usaram cápsulas tiveram uma melhora ou supressão dos sintomas em 74%. Ficaria assim demonstrado que, pelo menos em alguns casos, a síndrome decorreria de uma sensibilidade aumentada aos níveis normais de prolactina.
Caso outras pesquisas confirmem a veracidade destes dados, estará criada uma nova opção terapêutica. No mínimo, barata e sem efeito colaterais. |
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