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DR. WALMIR COUTINHO: PRIMEIRO BRASILEIRO ELEITO PRESIDENTE DA IASO
Por Cintia S. Castro

Dr. Walmir CoutinhoChefe do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares do IEDE, o Dr. Walmir Coutinho é o primeiro brasileiro a ser eleito presidente da IASO (International Association for the Study of Obesity), a maior associação científica do mundo dedicada à obesidade, sediada na Inglaterra. O endocrinologista carioca assumirá em 2014 a direção da entidade, para uma gestão de quatro anos.

Sua eleição é um marco na história da endocrinologia não apenas brasileira, como mundial: nunca um profissional de fora da Europa e da América do Norte havia sido escolhido para estar à frente da entidade.

Ele não tem dúvidas sobre a importância do IEDE em sua trajetória: "Foi aqui em que eu sempre recebi o incentivo de me candidatar à presidência da ABESO, da FLASO e, agora, da IASO".

Qual a importância da IASO para o controle da obesidade no mundo?

A IASO é a maior associação científica de obesidade. Congrega 56 países, com mais de 50 associações nacionais (a exemplo da ABESO). Sua missão é aperfeiçoar a saúde global, promovendo a compreensão da obesidade e encorajando políticas de prevenção e controle.

Como chegou ao cargo?

De 2005 a 2008, exerci o cargo de presidente da FLASO (Federación Latinoamericana de Estudios sobre la Obesidad). Então, fui me envolvendo, cada vez mais, com a área internacional. De 2008 a 2010, fui vice-presidente da IASO para a América Latina. Representar as sociedades latinoamericanas no comitê executivo era uma das minhas atribuições.

Qual a importância para o Brasil da eleição do primeiro brasileiro na presidência da IASO?

Trata-se do reconhecimento do papel cada vez mais importante do Brasil e da própria América Latina no cenário global da obesidade, inclusive pela importância do problema entre nós e pelas atividades promovidas. Em 2010, a IOTF (International Obesity Task Force) congratulou, oficialmente, os dois países que se destacaram por ações promovidas no combate à obesidade: Reino Unido e Brasil. Existe uma determinação da IASO de se tornar uma instituição realmente global, sem o predomínio da América do Norte e Europa, que era baseada na concentração da produção científica nesses continentes. A intenção é ainda a de focar os países de economia emergente, nos quais o problema da obesidade é cada vez mais grave.

Quais serão seus projetos à frente da IASO?

Diminuir a distância científica entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos. Intensificaremos as atividades educativas, como o programa de educação médica continuada e os cursos de formação de especialistas.

Algum projeto específico para o Brasil e América Latina?

As atividades serão promovidas por meio das associações filiadas, junto à FLASO. Há um projeto para que se estendam ao Caribe, onde a situação é muito grave. Em janeiro de 2011, vou participar de uma reunião em Aruba, onde foi encontrada a maior taxa de prevalência de obesidade do mundo (78% da população está acima do peso).

Por que a obesidade se tornou tão grave em país de economia emergente?

Quando uma família tem acesso ao consumo em geral, passando a ter mais de uma televisão, refrigerador e automóveis, as pessoas ficam sujeitas à obesidade. A educação é importante, porém, sozinha, não é eficaz. Os alimentos mais baratos costumam ser os mais engordativos, e a população que pratica menos atividade física e tem menos tempo para o lazer é a de baixa renda. Precisamos de políticas fiscais de incentivos, sem esquecer a restrição publicitária de produtos não saudáveis. Queremos estender aos países da Ásia e da África (onde a situação da obesidade também preocupa) ações eficazes entre nós, como a campanha do aleitamento materno.

Poderia falar sobre as campanhas brasileiras?

Criamos, em 1998, o Dia Nacional de Combate à Obesidade, comemorado em 11 de outubro. Todos os anos realizam-se atividades em várias cidades do Brasil e da América Latina. A atual campanha dedicada à obesidade infantil é importantíssima, pois é nessa fase em que tudo começa. As medidas mais eficientes de prevenção são focadas em crianças e adolescentes. É importante que as atividades se desenvolvam nas escolas, a exemplo dos projetos da ABESO e SBEM.

Qual a relação do IEDE com sua trajetória na IASO?

Acho que essa eleição tem tudo a ver com a filosofia do IEDE, onde sempre recebi o incentivo de me candidatar à presidência da ABESO, da FLASO, e agora da IASO. Acho que eu devo muito ao IEDE por esse reconhecimento internacional. Vejo essa eleição como uma responsabilidade muito grande, e conto com todos esses colegas que sempre me apoiaram.





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