EXPERIÊNCIA DE 13 ANOS NO USO DE GH NO IEDE
Por Vera Leal
Apesar da liberação em 1985 do uso do rhGH pela FDA (Food and Drug Administration) no tratamento da deficiência do GH, a disponibilidade do medicamento na rede pública brasileira demorou mais de uma década. No IEDE, as dispensações iniciais ocorreram a partir de abril de 1997, também já contemplando as pacientes com Síndrome de Turner.
Sempre fiquei interessada em saber que resultados vínhamos conseguindo ao longo desses anos. Enfim, orientei a residente Maria Carolina A. C. Amaral, que aceitou a tarefa, levantando esses dados até abril de 2010; portanto 13 anos de prescrição do GH em, aproximadamente, 500 pacientes (498). Analisamos os pacientes em uso de GH, excluindo 104 prontuários por Síndromes Genéticas, 23 por falta regular às consultas e ainda os que faziam GH há menos de 24 meses. Restou-nos um total de 240 pacientes. As etiologias encontradas foram: Pan-hipopituitarismo, Deficiência Isolada do Hormônio de Crescimento (DIGH), Baixa Estatura Idiopática (BEI), GH pós Lupron, Pequeno para Idade Gestacional (PIG) e Resistência ao GH. As etiologias mais prevalentes foram DIGH (54%) e Pan-hipopituitarismo (27%).
Os pacientes foram divididos em 3 grupos: os que concluíram o tratamento (Grupo 1), os que ainda estão em uso GH mas usam por um mínimo de 24 meses (Grupo 2) e os que abandonaram o tratamento (Grupo 3). Houve uma melhora no Z-score da altura em todos os grupos: grupo 1 de -3,22 pré-tratamento para +0,006 (p<0,0001), grupo 2 de -3,56 para +0,02 (p<0,0001) e no grupo 3 de -3,24 para -0,89 (p<0,0001). Em relação à eficácia do tratamento, 80,9% dos pacientes do grupo 1 atingiram o alvo contra 70,2% do grupo 2 e 52,3% do grupo 3. Quanto às complicações relativas ao uso do GH, apenas foram encontrados 2 relatos: linfangeoma de cólon esquerdo e retenção hídrica, embora não se afaste a possibilidade de algum efeito colateral ou adverso ter sido o motivo de abandono no grupo 3.
Concluindo, houve um aumento no Z-score de altura em todos os grupos. Os mais favorecidos em relação ao potencial genético foi o grupo 1, que concluiu o tratamento. Porém, parece haver uma tendência a uma melhor resposta final no grupo 2, pois neste grupo os pacientes iniciaram o tratamento mais precocemente e o fornecimento da medicação pelo Governo foi mais regular.
Neste histórico quanto ao uso do GH,no IEDE, não podemos deixar de fazer referência aos médicos Álvaro Machado, Rosa Rita Santos, Rosita Fontes, Cláudio Hoineff, Jane Mello, Monica Jung, Leila Warszawski, Rodrigo O. Moreira, Latife Tyzsler, Paulo Solberg, Jucimar Brasil, Rita Weiss, Bianca Barone ,Vera Leal, em cujos ambulatórios, a saber, Crescimento, Hipófise, Endocrinologia Pediátrica e Genética esses pacientes foram atendidos.
|
 |