HIPOGLICEMIA NO DIABETES TIPO1: UM PROBLEMA SEM SOLUÇÃO?
Por Rosane Kupfer
Melhorar o controle do Diabetes nos pacientes com DM
tipo1 (DM1) tem sido o maior objetivo para a prevenção
de suas complicações. O desenvolvimento de estratégias de
tratamento como o controle intensivo, demonstrado no Diabetes Control
and Complications Trial (DCCT), foi o passo inicial, mas também exibiu
a sua conta: o expressivo aumento de hipoglicemias. A hipoglicemia
pode ser causada pela dosagem excessiva de insulina, mas também pela
deficiente resposta de glucagon e adrenalina ao estímulo hipoglicêmico
observada nestes pacientes. A hipoglicemia grave e prolongada não é
incomum e é responsável pela morte de 6 a 10% de indivíduos com
DM1 nos EUA. Diversos são os problemas cardiovasculares relacionados
à hipoglicemia: quadros isquêmicos devido ao aumento do consumo de
oxigênio pelo miocárdio, arritmias, hipopotassemia e até morte súbita.
Estudos correlacionam a hipoglicemia grave também com alterações
psicológicas e demência. Além de poder piorar a qualidade de vida, é
um fator limitante ao tratamento do indivíduo diabético. O custo para
o sistema de saúde, por tudo isso, pode ser alto.
A preocupação em evitar a hipoglicemia nesses pacientes é crescente.
As estratégias que usam a educação como ferramenta, incluindo a contagem
de carboidratos, são eficazes e, para tal, a equipe multiprofissional
deve contar com profissionais treinados. O estímulo a monitorização e
principalmente a valorização de seus resultados pela equipe, motiva o
paciente, permitindo uma maior adesão ao tratamento.
Uma vez resolvidos problemas de educação e adesão ao tratamento, e
persistindo quadros de hipoglicemia que pioram a qualidade de vida do
paciente, ameaçam sua saúde ou resulte em mau controle glicêmico, não
há dúvidas que o uso de análogos de insulina deve ser iniciado. Primeiro,
em esquema de múltiplas doses (basal-bolus) e, se necessário, depois
em sistema de infusão contínua (bomba de insulina). A associação da
monitorização contínua da glicose com sensores subcutâneos ganhou
grande destaque no último congresso da American Diabetes Association.
Os sensores mais modernos exibem uma maior acurácia e design mais
confortável e discreto. O grande objetivo é a integração com o sistema
de infusão, fechando a alça para enfim termos o pâncreas artificial. Isso
não parece estar muito longe. Já está disponível na Europa, Canadá e
Austrália, um sistema chamado Low Glucose Suspend (LGS). Como o
nome já diz,quando a glicose cai abaixo de um nível crítico, a bomba
automaticamente suspende sua infusão basal de insulina. Por fim, as
estratégias de preservação do peptídeo c (secreção residual de insulina)
após a abertura do Diabetes são sugeridas. Neste caso, seria usada a
bomba de insulina desde a abertura do DM e em casos mais tardios, o
transplante de Ilhotas. |
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