PRÊMIO JOSÉ SCHERMANN 2011 VAI PARA BERNARDO LÉO WAJCHENBERG
Ex-presidente de diversas sociedades médicas
e autor de mais de 270 artigos
científicos espalhados pelo mundo, o
Dr. Bernardo Léo Wajchenberg vai acrescentar
mais um prêmio a sua coleção. O último que
ganhou foi nada menos que o "2007 Distinguished
Physician Award", da Endocrine Society.
No final de 2011, durante o XL Encontro
Anual do IEDE, ele receberá o Prêmio José
Schermann.
"Tive o privilégio de conviver com o Schermann,
que desempenhou um papel muito
importante no ensino da Endocrinologia,
servindo de exemplo para todos nós. Receber
esse prêmio é uma honra para mim. Além do
mais, tenho uma ligação especial com o IEDE",
afirma o Dr. Wajchenberg.
Grande personalidade da Endocrinologia,
ele já foi presidente da Sociedade Brasileira
de Diabetes (SBD), da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e
da Associação Latino-Americana de Diabetes
(ALAD). Além disso, integrou o Comitê Executivo
da International Diabetes Federation
(IDF) e foi membro do conselho editorial de
diversas revistas científicas.
Durante sua carreira acadêmica, o Dr.
Wajchenberg publicou um grande número de
artigos nas áreas de diabetes, tireoide, neuroendocrinologia,
entre outras. Mas ao aposentar-
-se, em 1996, pela Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FMUSP), e de
receber o título de Professor Emérito de Endocrinologia
daquela universidade, considerou
que a área da diabetologia é muito extensa,
além de intensa, não fazendo sentido querer
"abraçar" toda a Endocrinologia. Assim, ele
continuou sua atividade clínica e, em 2001, foi
convidado a organizar e coordenar o Centro de
Diabetes e Coração, do Instituto do Coração do
Hospital das Clínicas/USP, sendo o principal
pesquisador no Brasil do Projeto BARI 2D,patrocinado pelo National Institute of Health,
dos Estados Unidos.
Seriedade e Competência
Segundo o Dr. Ricardo Meirelles, diretor
do IEDE, o Dr. Bernardo "é um ícone
da Endocrinologia brasileira, com projeção
internacional", uma vez que "seus trabalhos
publicados encontram-se entre os mais citados
na literatura médica mundial. Exemplo de
seriedade, competência e dedicação, influenciou
várias gerações de endocrinologistas, que se
espelharam no seu modelo para pautar suas
carreiras. Suas participações em congressos,
como palestrante ou através das sempre
inteligentes observações sobre apresentações
de outros conferencistas, muito contribuíram
para valorizar os eventos, que disputam sua
presença", comenta.
Dr. Ricardo afirma, ainda, não poder deixar
de citar o valor de dona Rosa, esposa desse
mestre da Endocrinologia, "sempre presente ao
seu lado, irradiando vitalidade e simpatia. Com
certeza, ela desempenhou importante papel no
sucesso profissional do Dr. Bernardo. Tenho
grande admiração pelo casal e orgulho-me de
contar com sua amizade", ressalta.
Além de dona Rosa, outra pessoa teve grande
responsabilidade pelo sucesso da carreira do
Dr. Bernardo: o seu próprio pai, que o incentivou
a fazer medicina, já que o então jovem
estudante pensava em se dedicar à engenharia
química. Tudo indica que seu pai tinha razão!
Em Plena Atividade
Aos 85 anos de idade, o Dr. Wajchenberg continua
trabalhando diariamente no Instituto do
Coração do Hospital das Clínicas e em seu
consultório particular, além de participar de
congressos médicos no Brasil e no exterior e de
continuar a produzir trabalhos. Ele conta que
seu artigo "Beta-Cell Failure in Diabetes and
Preservation by Clinical Treatment", publicado
em maio de 2007 na Endocrine Reviews,
"tem hoje quase 200 citações e resultou em
convite para participar do livro The Islets of
Langerhans". Entre seus inúmeros estudos,
merece destaque outra revisão da "Endocrine
Reviews", sobre a gordura visceral e a síndrome
metabólica, publicada em dezembro de 2000,
com mais de 1000 citações. "Hoje, é um clássico",
comenta.
No entanto, o Dr. Bernardo considera como
mais importante o estudo que fez sobre o
metabolismo do cálcio em indivíduos normais,
com o emprego de cálcio radioativo – trabalho
publicado no Reino Unido, na revista Clinical
Science, em 1971, quando o convidaram a
apresentá-lo no "National Institute of Health",
em Bethesda, Maryland.
Balanço Positivo
Do alto de sua experiência, o Dr. Bernardo
faz um balanço positivo de sua vida profissional,
não só pela contribuição científica, mas
também pela formação de um grande número
("acima de 90") de colaboradores brasileiros
e latino-americanos. Quanto aos desafios que
enfrentou, acredita terem ocorrido por sua
"personalidade e independência na produção
científica". Conhecido por sempre falar
o que pensa, com o passar dos anos essa imagem
cederia lugar a uma fala fraterna e gentil.
Entre as satisfações na carreira de medicina ele
cita o convite para ser responsável pelo Centro
de Pesquisa Clínica na Wayne State University,
em Detroit, USA, embora não tenha aceitado
"por diversas razões". De seu currículo
consta ainda a edição do livro "Endocrinologia
Clínica", publicado em 1992, além de diversos
capítulos de obras estrangeiras. Recebeu também
o Prêmio Francisco Arduíno (oferecido
em 2003, pela SBD), por sua contribuição no
campo do diabetes.
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