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LUGAR DE APRENDER E CULTUAR A ENDOCRINOLOGIA
Por Beth Santos

A medicina entrou na vida do Dr. Max Künzel desde o início da sua adolescência, através de um tio médico que o levava nas visitas aos seus pacientes. Dali para o vestibular da profissão foi um pulo, "com a ideia firme de que a psiquiatria era o que queria fazer". Mas a realidade dos tratamentos praticados àquela época o frustrou.

No final de 1975, ao término do internato em um hospital, com opção concreta de residência, optou pelo IEDE. Motivos? "Por ser o sonho de consumo, a referência nacional na especialidade e o celeiro dos grandes mestres". Entre 1976/77 fez residência e pós-graduação no Instituto.

Ele diz que foi no IEDE onde tudo começou, "onde respirei cultura médica e convivi com fantásticos colegas". As boas lembranças são muitas. Incluem o Dr. Ivan Ferraz, "com seu jeito carioca de ser, parceiro de plantões nem sempre tranquilos, mas bastante ricos nas novas experiências"; o Miguel Hissa, "estudioso, questionador"; Marisa e Leila, quase sempre juntas, "preocupadas com as hipoglicemias do Ronaldo". De perto ou de longe, ainda acompanha a trajetória de cada um.

Um Mundo Rico

Impossível não citar os professores, "verdadeiros mestres": Dr. Schermann, com seu conhecido rigor e suas muitas lições; mestre Arduíno, "com o olhar aguçado nos diabéticos e suas complicações"; Álvaro e Maurício, "estimuladores do conhecimento"; Dr. Raul, "administrador perspicaz". A conclusão se impõe: "era um mundo rico".

Mas as (muitas) lembranças não acabam aí. Incluem Pietro Novelino ("suas cirurgias eram fabulosas"); Amanda ("simples, inesquecível, doce figura, adocicando nosso convívio com, por vezes, sisudos mestres"); a tranquilidade do Dr. Preger na enfermaria; Dr. Luiz Cesar Póvoa ("que impunha respeito e a disciplina necessária ao bom andamento de tudo"); Dr. Ricardo ("suas aulas sobre endocrinologia básica davam um nó em nossas cabeças"); o Bonaccorsi (com quem viveu "a experiência mais engraçada no IEDE", sobre uma coleta de material prostático em pacientes...).

Estórias hilárias à parte, o Dr. Max garante que o IEDE mudou sua visão sobre fazer medicina e a forma de exercê-la. "Impôs, em quem por lá passou, a cobrança diária na capacitação continuada e de qualidade. Determinou uma única lei, a da sabedoria conquistada". O que o leva a uma conclusão: "O IEDE não muda, reformula-se sempre, sobre jovens talentos que por lá passam".

"Não Fomos Vencidos"

Com o conhecimento adquirido, foi iniciar a vida profissional na sua cidade natal: Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. Entre outras atividades, está a 35 anos no serviço de endocrinologia de uma policlínica. Ele conta que, no final dos anos 90, afastou-se dois anos da medicina clínica após ser operado de um câncer. Nesse período, fundou uma associação de pacientes, junto com um grupo de pais. "Hoje temos quase 3000 diabéticos cadastrados, sede própria, programas de educação e controle da doença, e um encontro anual onde reunimos 1500 participantes".

Em janeiro deste ano, com a dramática enxurrada que atingiu a região, participou do atendimento de emergência aos diabéticos, apesar do trauma familiar com a perda de três primos soterrados. "Os diabéticos tipo 2 chegavam aos postos de atendimento sem medicação, hiperglicêmicos e atônitos. Tivemos pane no fornecimento de antidiabéticos orais, contornada com doações de uma farmácia, da Marinha e de laboratórios. A Associação pontuou nos informes e apoio a diabéticos na sua sede". A conclusão é dele: "Ficou apenas um sentimento após uma semana: não fomos vencidos".

EU SOU O IEDE

1- Por que você escolheu a Endocrinologia?

Entrei na faculdade para fazer psiquiatria e descobri nos fabulosos feedbacks hormonais a coisa mais interessante a ser estudada. No terceiro ano já lia o livro-texto de endocrinologia ( Willians).

2- Por que você escolheu o IEDE?

Era sonho de consumo, referência nacional na especialidade e celeiro dos grandes mestres.

3- Qual a sua área de maior interesse dentro da Endocrinologia? Por quê?

A neuroendocrinologia, na qual vivi meus grandes desafios profissionais.

4- Cite um evento marcante para você dentro da Endocrinologia. Explique o porquê.

Estar presente na primeira cirurgia de hipófise, via transfenoidal, realizada pelo professor Niemeyer na minha paciente do IEDE, com um prolactinoma.

5- Cite um endocrinologista que tenha influenciado sua carreira. Cite três coisas que você admira nessa pessoa e porque ela te influenciou.

Sem dúvida, o Luiz Cesar Póvoa. Por sua preocupação em fazer sempre da melhor forma; sua impaciência com a não objetividade e a forma como mantém agregada a família IEDE. Ele fluía sabedoria, com traços fortes de liderança.

6- Quem é o endocrinologista de renome internacional que você considera mais importante na sua área. Por quê?

Andrew Schally, Prêmio Nobel de 77, parceiro do IEDE.

7- Descreva o IEDE em uma frase.

Lugar de aprender e cultuar a endocrinologia.




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