ASSEX - IEDE
sobre a assex notícias eventos informações científicas fale conosco voltar para home



  • todas as publicações



Ecos do EndoSociety

por Amélio F. Godoy-MatosAmélio F. Godoy-Matos

Após organizar o International Congress of Endocrinology (ICE), fiquei por 2 anos sem frequentar o Endosociety, indiscutivelmente o melhor congresso de endocrinologia. Fui a Boston para reiniciar a tradição de sempre comparecer a estes congressos. Posso dizer que ele mantém a mesma qualidade, sempre procurando inovar, com sessões Meet-the-Professor (MTP) concorridíssimas e interessantes. Tivemos ainda nosso colega Claudio Kater participando como professor em um desses MTP e também como palestrante num simpósio.

Imaginem uma criança que aos 3 meses de vida é levada ao departamento emergência de um hospital em Recife, por sintomas típicos de Diabetes. O diagnóstico de Diabetes é recebido pelos familiares com indisfarçável pesar. Mas são as encruzilhadas da vida. Iniciado o tratamento com insulina, foi assim mantido por cerca de 3 anos. Um dia, o pai, jovem ainda, e com poucos recursos financeiros, levou-a ao pediatra e pediu-lhe que mudasse para um remédio, mais barato, pois ele não conseguiria arcar com as despesas da insulina. O pediatra prescreveu clorpropramida, uma sulfonilureia da primeira geração. E... o paciente passou bem, não entrou em coma, controlou sua glicemia e assim foi por toda a sua vida! O pediatra não sabia o que estava fazendo, mas estava fazendo certo! Este pode ter sido o primeiro caso de diabetes neonatal descrito no mundo e foi no Brasil. Mais ainda, em Recife. O Curioso é que, já adulto, este sortudo diabético tornou-se um advogado com grandes posses. E teve dois filhos, ambos diabéticos, e ambos tratados pelos modernos endocrinologistas com insulina! Abordado por uma nova equipe médica, que sugeriu fazer a mesma experiência com os dois filhos, ele recusou. Afinal, hoje temos insulinas modernas! Com relutância, porém, sucumbiu aos apelos dos médicos e permitiu a troca gradual da insulina por uma sulfoniluréia. Esta história foi contada pelo Dr. Andrew Hattersley, durante sua apresentação no Endocrine Society. Ele e seu grupo descobriram a mutação Kir6.2 no gene KCNJ11 que codifica para o canal K+ ATP dependente. Ele ainda contou outras histórias interessantes e semelhantes, com várias crianças com diagnóstico antes dos 6 meses de idade. Assim, a lição é: uma criança nessas condições tem quase que certamente o diagnóstico de DM neonatal e deverá ser tratada com uma sulfoniluréia. Visitem o site www.monogenicdiabetes.org e verão outras fascinantes histórias.

Mas porque estou interessado nisso? Por que no Serviço de Metabologia, nós nos interessamos em estudar e tratar casos de doenças metabólicas em geral, notadamente as raras. Logo, estamos abertos para estudar casos de diabetes com características distintas da regularidade. Alguns dos DM2 que atendemos na metabologia, não são, de fato, o típico DM2. Podem ser diabetes monogênicos. E nós estamos querendo estudar isto. Conversamos com a Dra. Rosane Kupfer, lógico, pois o Serviço de Diabetes tem prioridade, para tentarmos organizar um ambulatório comum e em colaboração, a fim de estudar tais casos. Até sugeri, meio que brincando um título: DiaMetabologia! Vamos avançar com a idéia...

Uma outra conferência muito interessante foi a do Prof. Le Roith sobre endocrinologia e câncer. Nos seus estudos, ele definitivamente liga 2 receptores à geração de tumores. O IGF- -1R e o receptor da insulina. Parece claro que a hiperinsulinemia é, sem sombra de dúvidas, um mecanismo importante na carcinogênese. Isto corrobora os 3 paradigmas que o serviço de metabologia utiliza há pelo menos 13 anos, quando falamos do tratamento do Diabetes: 1 - a hiperglicemia é indesejável; 2 - a hiperinsulinemia também é indesejável e 3 - a hiperglicemia mais hiperinsulinemia é ainda mais indesejável. O terceiro paradigma é o que, frequentemente, acontece quando insulinizamos nossos DM2. Enfim, estas são as notícias.

Até breve!




Associação dos Ex-Alunos do Instituto Estadual de Diabetes
e Endocrinologia Luiz Capriglione (ASSEX - IEDE)
2012. Todos os direitos reservados.

criação e produção: PICTUS arte interativa