ASSEX - IEDE
sobre a assex notícias eventos informações científicas fale conosco voltar para home



  • todas as publicações



DIABETES E VITAMINA D: DEVE-SE AUMENTAR A INGESTÂO DE VIT D EM POPULAÇÔES COM MAIOR RISCO DE DESENVOLVER DIABETES?

Por Rosane Kupfer

Rosane KupferUm tema conhecido dos endocrinologistas é a relação entre Vitamina D e o metabolismo ósseo. Porém no último Congresso da Associação Americana de Diabetes, a Vitamina D ganhou um simpósio para a discussão de sua relação com DM2 e com DM1.

A Vit D é uma vitamina solúvel e também um hormônio. Suas principais fontes são as comidas como o salmão, sardinha, leite de vaca e de soja, a exposição aos raios UVB e os suplementos orais que contem 100 a 400 Unidades por comprimido. Os alimentos fortificados são também fonte importante de suplementação de vitamina D. A necessidade diária varia de 200 a 600 unidades/dia, sendo o máximo tolerável de 2.000 U/dia. As formas de Vit D são a D2 ou ergocalciferol ou calcidiol (com meia vida de três semanas é a melhor avaliação do pool de Vit D) e a D3 ou colecalciferol (meia vida de ~7 horas).

A G Pittas e colaboradores (Diabetes Care 2007:30(4):980-986), em uma análise post hoc, verificaram que a suplementação de vit D (700 U) e citrato de cálcio (500 mg) em uma população adulta não diabética, com glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl, por três anos, resultou em menor aumento da glicemia de jejum e do HOMA IR, comparada com placebo. Pittas em sua apresentação nesse simpósio então questiona: “Seria a vitamina D um modulador do risco de DM2”? A 1,25 dihidroxiVitD3 ao entrar na célula beta e se ligar ao receptor promove ações como aumento de síntese e secreção de insulina, modulação de citocinas, FAS, FAS-L, da calbindina (proteína tampão do Cálcio intracelular) e regulação do Cálcio, que é importante para a secreção de insulina. Além disso, a célula beta é capaz de converter a 25 (OH) D em 1,25 VIT D, tornando possível uma ação parácrina desta.

Nos tecidos periféricos, a Vit D aumenta à sensibilidade a insulina (por aumentar a expressão de receptores de insulina), regula a expressão de PPAR (metabolismo dos AGL) e regula o eixo renina-angiotensina (envolvido também na sensibilidade a insulina). Por esses aspectos, a Vitamina D pode ser apontada como um modelador do risco de DM2 e vem sendo investigada no contexto do risco cardiovascular. Infelizmente, até o momento, existem apenas estudos observacionais. Dados apontam para um melhor controle glicêmico no verão em relação ao inverno e o risco de Diabetes parece aumentar na medida em que nos afastamos da linha do Equador. Estudos epidemiológicos como o NHANES de 1979 mostraram que pacientes com DM2 tinham redução de Vit D e no Nurse Health Study foi visto que uma maior ingestão de Cálcio e Vit D se relacionaram a um menor risco de DM2 prospectivamente.

O outro lado da questão que devemos nos preocupar é com o limite desta suplementação, principalmente conhecendo os riscos da intoxicação por Vit D. O desafio é certamente termos estudos clínicos controlados de boa qualidade, onde será analisado o real benefício desta suplementação.




Associação dos Ex-Alunos do Instituto Estadual de Diabetes
e Endocrinologia Luiz Capriglione (ASSEX - IEDE)
2018. Todos os direitos reservados.