Por Carmen Regina Leal de Assumpção
Presidente do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Jayme Rodrigues-CEA
FIBRILAÇÃO ATRIAL ASSOCIADA AO HIPERTIREOIDISMO É TEMA DE SESSÃO CLÍNICA NO IEDE
No ultimo mês, tivemos em nossa sessão
clínica uma interessante discussão
sobre arritmias cardíacas associadas ao
hipertireoidismo. O tema "Bócio difuso tóxico
(BDT) associado à fibrilação atrial crônica"
foi apresentado e discutido pelas Dra. Alessandra
Schiappacassa e Dra. Aline Maldaner,
respectivamente, e orientado pela Dra. Dayse
Caldas. O resumo do caso clínico e as principais
conclusões da discussão encontram-se
resumidas abaixo.
Resumo do caso: Mulher de 46 anos, com
diagnóstico de BDT, insuficiência cardíaca
congestiva e fibrilação atrial (FA) crônica há
um ano; em acompanhamento no IEDE há
9 meses, foi submetida à Dose Terapêutica
(DT) em 15/09/2010 (12 mci). Há um mês
evoluiu com quadro de dispnéia progressiva
aos mínimos esforços, edema de membros inferiores,
palpitação e ganho ponderal (±5 kg).
Exames da admissão revelam pancitopenia
(Hb = 10,2; Leucograma = 3.300; plaquetas
= 83.000), TSH suprimido (0,020) e T4 livre
elevado (11,37). Na internação, apresentava
quadro compatível com tempestade tireotóxica
associado à FA de alta resposta.
Discussão do manejo terapêutico:
- Drogas antitireoidianas (Propiltiouracil):
Apesar da pancitopenia presente no caso,
nunca houve relato na história da paciente
de reação adversa à classe medicamentosa.
Além disso, o fármaco em questão foi de extrema
utilidade na compensação da paciente;
- Carbonato de lítio: útil no preparo pré-
-operatório e naqueles em que programamos
a realização de dose terapêutica com iodo
(situação aplicável à paciente);
- Corticóide: inibe a conversão periférica de
T4 em T3, sendo válido na crise tireotóxica;
- Beta-bloqueador: inibe os efeitos adrenérgicos
que são potencializados pelos hormônios
tireoidianos. O propranolol, por sua
vez, ainda inibe a conversão periférica de
T4 em T3.
- Anticoagulação: Reduz o risco de fenômenos
embólicos naqueles que apresentam FA
associado à idade elevada e/ou disfunção
cardíaca documentada. Sua aplicação ainda
é controversa, uma vez que devemos pesar
a relação risco x benefício (risco de sangramentos
x prevenção de eventos embólicos).
Em pacientes que apresentam FA, mas que
são jovens e que possuem boa função cardíaca,
a profilaxia com aspirina também parece
ser adequada.
Decisão da Sessão:
- Terapia direcionada para a crise tireotóxica
e ICC descompensada: opções acima associado
a negativação do balanço hídrico com
furosemida;
- Manutenção da anticoagulação plena (paciente
com FA crônica e disfunção cardíaca
grave);
- Realização de nova DT com iodo (20 mci)
após estabilização clínica e laboratorial
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