OBESIDADE INFANTIL, O IEDE E A PRIMEIRA DAMA NORTE-AMERICANA
por Ricardo Meirelles

No início de março, recebi um telefonema
que me surpreendeu: Rosa
Sampaio, coordenadora nacional da
Política de Atenção à Hipertensão Arterial e
ao Diabetes Mellitus, do Ministério da Saúde,
me dizia que a Primeira Dama dos Estados
Unidos, Michelle Obama, queria conhecer as
iniciativas brasileiras no tocante à obesidade
infantil e sugeria que apresentássemos a experiência
do IEDE. O casal presidencial norte-
-americano visitaria o Brasil nos dias 19 e 20
daquele mês e a Organização Panamericana de
Saúde, representada por Enrique Gil, Gerente
da Área de Prevenção e controle de Doenças e
Desenvolvimento Sustentável, estava intermediando
os contatos, em relação à saúde pública.
Apesar do curto prazo para os preparos, é
claro que concordei imediatamente, pois sabia
do trabalho que Carmen Assumpção e Vera
Leal vinham desenvolvendo. Preparamos uma
apresentação, com a ajuda dos pós-graduandos
Wellington Santana da Silva Jr., Letícia Dinis
da Costa Braga, Alessandra Schiapacassa e
Amanda Dias Bicudo que, em tempo recorde,
fizeram o levantamento de dados. Além destes,
trabalhavam no programa de obesidade infantil
a endocrinologista Karen de Marca Seidel,
as assistentes sociais Angela Willemes e Carla
Santana de Oliveira, as psicólogas Claudia
Ramundo e Daniela Coelho, as nutricionistas
Lilian Fernandes Magalhães e Tania Cristina
C. D. Bruno, e a professora de educação física
Alessandra Costa.
Por motivo de alteração da agenda do Pre-
Obesidade Infantil, o
IEDE e a Primeira Dama
Norte-Americana
sidente Barack Obama, a Primeira Dama não
pôde participar da reunião e fizemos a apresentação
para seus assessores diretos, Christina
Tcheng e Trooper Sanders. No dia 20 estávamos,
Carmen, Vera e eu, no Hotel Sheraton,
com a apresentação no pendrive e um livro
sobre o Rio de Janeiro para presentear a ilustre
visitante. Na dedicatória, uma foto do IEDE e
as palavras: "Mrs. Michelle Obama, thank you
for your concerns on childhood obesity. From
the Endocrinologists from the State Institute
of Diabetes and Endocrinology." Em julho,
recebemos, da Casa Branca, uma carta de agradecimento
assinada pela Primeira Dama.
A conversa se estendeu por três horas, com
inúmeras perguntas e comentários dos nossos
interlocutores. Diversos pontos coincidentes
foram identificados entre o nosso programa e
o "Let's Move", do governo americano, coordenado
por Michelle Obama, uma iniciativa
que, certamente, contribuirá para controlar o
problema de saúde pública que representa a
obesidade entre as crianças dos Estados Unidos.
Ao final da reunião, ficou a certeza de que,
ainda que modesta e sem abrangência nacional,
nossa experiência pode servir de piloto para
uma política mais abrangente de combate à
obesidade infantil, que já ganha prevalência
também no nosso país.
Evitar que as crianças engordem e ajudar
as que estão com excesso de peso a emagrecer
é a melhor maneira de evitar o avanço da
obesidade nos adultos, com suas perniciosas
consequências.

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