OS MENTORES
por Ricardo Meirelles
No último congresso da American
Diabetes Association, chamou a minha
atenção, na palestra de Richard
Bergenstal, President, Medicine & Science, a
grande importância que foi dada aos mentores.
Citou dois. O primeiro foi Arthur Rubenstein,
caracterizado como um homem de ciência, com
foco na investigação de hipóteses baseadas em
fisiologia. O outro, Donnell Etzwiler, foi identificado
como aquele que traduzia a ciência para
a prática clínica.
Impossível, para aqueles que assistiram ao
nascimento do IEDE, não fazer um paralelismo
com dois dos nossos mais importantes mentores:
Jayme Rodrigues e José Scherman. O primeiro,
um visionário, perseguia as pesquisas de ponta,
os grandes avanços da ciência básica e os progressos
na compreensão da fisiologia endócrina.
Inesquecível, por exemplo, a empolgação de Jayme
Rodrigues diante da descoberta, por Earl Sutherland,
do segundo mensageiro, que explicava
a o mecanismo de ação de vários hormônios. Já
Scherman era o médico clínico por excelência, e
procurava sempre a aplicação prática dos avanços
da ciência básica. A ele interessava o que podia
ser benéfico aos seus pacientes. Seu trabalho no
IEDE, até o fim, se fazia na triagem dos que procuravam
o Instituto, emprestando sua gigantesca
experiência no diagnóstico e encaminhamento
dos pacientes, diante do encantamento de seus
alunos. Não contente com essa importante tarefa,
passeava pelos ambulatórios, orientando a
conduta nos casos mais difíceis.
Os dois se completavam e marcaram profundamente
seus discípulos. Tinham em comum o
prazer e a generosidade do ensino. Suas personalidades
carismáticas e seus exemplos foram
fundamentais para todos nós. Um dos seus primeiros
e mais aplicados seguidores, Luiz Cesar
Póvoa, herdou um pouco de ambos e continuou
a obra dos pioneiros, tornando-se, ele próprio,
mais um importante e memorável mentor.
Outros tiveram grande importância em
campos específicos da Endocrinologia, como
Francisco Arduíno, criador do embrião do
Instituto, o Centro de Diabetes do Hospital
Moncorvo Filho, e, depois, do próprio IEDE.
Num momento em que o tratamento do diabetes
era ainda mais difícil do que agora e parco
em recursos, Arduíno foi capaz de despertar em
centenas de colegas a dedicação a esta cada vez
mais proeminente patologia.
Mais um, Raul Faria Júnior, outro pioneiro,
até hoje é o médico que permanece mais tempo
no hospital, sempre disponível e colaborando
com todos. Lembrado sempre com carinho por
aqueles que se formaram no IEDE, muitos lhe
devem gratidão pela ajuda despretensiosa na
elaboração de monografias, trabalhos e teses.
A Banting Lecture, mais importante palestra
do congresso, proferida por Robert Rizza,
também se iniciou pela referência aos mentores.
Exemplo a ser seguido. Inspirado pelos professores
Bergenstal e Rizza, presto aqui merecida
homenagem aos nossos mentores. A memória
dos que nos ensinaram deve se manter sempre
viva e não devemos perder nenhuma oportunidade
de exaltá-la. Depois dos nossos pais, são,
sem dúvida, aqueles que mais nos influenciaram
e nos ajudaram a ser o que somos. |
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