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NO ÚLTIMO DIA 25/9 PERDEMOS O NOSSO COLEGA JOEL GREGO FILHO, AOS 43 ANOS.
JOEL ERA MÉDICO ENDOCRINOLOGISTA, FORMADO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF), COM RESIDÊNCIA EM CLINICA MÉDICA PELA UFF, EM ENDOCRINOLOGIA NO IEDE E MESTRADO PELA UFRJ.
Joel nasceu em Botafogo, em 25 de março de 1966. Ainda bebê foi tido como cego. Por teimosia e observação, sua mãe percebeu que cego não era: havia esperança. Foi examinado por vários profissionais, sem que nenhum soubesse exatamente como resolver a deficiência até que no Jardim da Infância um certo “profissional médico” aconselhou sua mãe retira-lo da escola pois ele não conseguiria acompanhar a turma pela deficiência visual. Novamente a santa teimosia dela não acatou o conselho médico e manteve o filho em escola convencional, pedindo as professoras que o colocassem bem próximo ao quadro negro ou copiassem a lição em seu caderno. E assim, desde a 1ª série, este menino “quase” cego foi o 1º aluno em TODAS as turmas as quais frequentou.
Esteve em escolas públicas em toda escolaridade e passou para Faculdade de Medicina da UFF no primeiro vestibular que fez.
A partir daí, mudou-se para Niterói onde morou até o fim de sua vida. Fez residência na UFF de clinica e foi para o IEDE. Sempre valorizou este período de sua vida e de seu aprendizado. Contava (e imitava !) como eram cada um seus professores e tinha muito orgulho de ter pertencido a este grupo.
Fez mestrado na UFRJ. A orientadora o comparou a um caminhão sem freio ladeira a baixo, referindo-se a sua produção científica. Sua tese recebeu nota 10 de toda a banca.
Sempre se referiu a equipe do Fundão com muito respeito e carinho.
Por indicação de um amigo começou a trabalhar em laboratório de análises clinicas e estudou, garimpando sozinho livros e artigos, todas as técnicas referentes a dosagens hormonais. Era mais um desafio em sua vida. Tornou-se uma referência nesta área, mantendo contato com profissionais de vários serviços pelo mundo.
Em 1992 chamou os endocrinologista da cidade de Niterói e montou um grupo de estudos, que mais tarde seria transformado em uma associação: a APEN – Associação de Estudos e Pesquisas Endocrinológicas de Niterói. Através desta, enviou vários trabalhos para congressos aqui e no exterior. Nesta época conheceu Tatiana, sua amada e companheira para todo o tempo.
Venceu a deficiência, venceu a pobreza, venceu o meio e com maestria.
Em todo lugar por onde esteve marcou presença. Sempre uma presença alegre, divertida, agregadora.
Nunca negou informação: “conhecimento não se nega” e também nunca vendeu. Sempre disposto a ajudar a todos, acostumou-nos a ter tranqüilidade pois podíamos ligar a qualquer hora ou dia para resolver um caso, uma dúvida, uma pergunta.
Acostumou-nos a ler suas observações nos exames que fazia, muitas vezes necessárias para definir condutas.
Quantas vezes presenciei um professor pedindo algum artigo sobre laboratório para montar uma aula e ele, com toda disposição e boa vontade, mandava a aula pronta.
Também se destacava nos contatos sociais por sua vasta cultura geral ou infinito conhecimento de piadas. Foi capaz de manter grupos ao seu redor por horas, sempre fazendo rir, fosse com as piadas ou imitações maravilhosas de personagens variados.
Esse foi o Joel: serio quando o assunto era medicina, divertido socialmente, amigo dos amigos e um poeta para sua amada.
Esse foi o Joel: lutou uma vida inteira, ganhou muitas batalhas.
Uma vida curta, porém absolutamente intensa, vivida.
Joel – um guerreiro.
Joel....... uma saudade.
Tatiana Dutra Braz
Amanda Athayde e Joel Grego, juntos em um Congresso
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