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"O IEDE PARA MIM REPRESENTA UMA VIDA INTEIRA"

Por Beth Santos

Ao lhe perguntarem em entrevista, há alguns anos, quando ele chegou ao IEDE, o Dr. Raul Faria Júnior foi certeiro na resposta: “Não fui eu que cheguei ao IEDE, foi o IEDE que chegou na minha vida”. Do alto de seus atuais 92 anos, 72 como médico, ele sabe bem do que estava falando. “Eu estudei aqui, mas como aluno do Serviço do professor Capriglione, no Hospital Moncorvo Filho. O IEDE ainda não existia”.

Era o ano de 1945, e “o excelente conceito” do Serviço o levou para lá como voluntário. Sob a orientação do clínico geral “dos mais renomados” ele iniciou sua “jornada em direção ao futuro”. Começaria aí sua convivência com aqueles que considera seus mestres.

Entre esses nomes, Dr. Raul cita o de Francisco Arduíno, criador da assistência especializada aos diabéticos; José Schermann (“o nome mais importante entre todos. A endocrinologia iniciou seu desenvolvimento com a criação de um ambulatório sob sua orientação”); Luiz Feijó (“dotado também de elevado espírito científico”) e Jayme Rodrigues (“deu impulso à especialidade”).

A Criação do IEDE

Em 1960, recorda o Dr. Raul, o professor Arduíno assume o recém-criado Centro de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, após lutar pela construção, anexo ao Moncorvo Filho, do prédio que o sediaria. No final de 1967, finalmente, Jayme Rodrigues consegue a construção de novo prédio, anexo ao primeiro. O Centro, então, passa a ser o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione. Nasce o IEDE.

Dr. Raul lembra que “para os que já estavam aqui foi importante, porque passou a ser uma entidade, ter uma identidade própria, ao passo que éramos uma parte do Hospital Moncorvo Filho. Os Serviços passaram a ser mais independentes”. Quando o professor Jayme Rodrigues saiu da Divisão Médica para assumir a direção geral, convidou o amigo Raul Faria para chefiar o setor.

Testemunha dessa história, ele comenta que “a evolução do IEDE acompanhou a da Medicina”. Como exemplo, lembra que “só tínhamos um tipo de insulina, não havia ainda a divisão de diabetes 1 e 2, não existiam nutricionistas, nem a ideia de que o paciente devia aprender a controlar a doença. O médico receitava, e tchau!”, diz bem humorado.

Ele prossegue lembrando que “todo o grupo que trabalhava aqui era muito ligado, inclusive afetivamente. As equipes eram menores e convivíamos mais. Na minha turma na faculdade, as mulheres, por exemplo, eram somente umas dez num grupo de 200”. E constata: “Hoje elas dominam a Endocrinologia”.

Membro da Família

E por falar em convivência, impossível não lembrar da fundação da ASSEX, “um pouco depois da criação dos Encontros Anuais, dos quais participei desde o primeiro, sem faltar a nenhum”. O assunto remete à expressão “espírito do IEDE”, “criada pelo Dr. Póvoa como forma de dizer que ali cada um não é simplesmente um médico, um funcionário, mas sim um membro da família do IEDE. É isso que faz com que voltem aos Encontros pessoas que se foram daqui há 20 anos. Elas guardam esse espírito”. Faz uma pausa e comenta: “Cada um se sente parte de uma coisa maior, há uma união, uma ligação afetiva entre as pessoas. Ninguém quer sair daqui”.

Quando lembramos que o Instituto caminha para completar 50 anos já em 2017, Dr. Raul faz uma ligeira pausa e parece refletir. Logo se refere à chegada da Fundação Saúde, diz que é preciso “manter, apesar de todas as alterações, o espírito de união. Tudo ainda está sendo ajustado, modificado, mas ainda está em processo”. Perguntado sobre como se sente diante de tantas mudanças, ao longo de quase cinco décadas, ele responde de pronto: “Me sinto uma parte do IEDE, tenho um sentimento afetivo pelo Instituto muito grande. O IEDE para mim representa uma vida inteira”.

Olhar para trás, que sentimento lhe desperta? “O principal sentimento é de gratidão por ter aprendido com tantos grandes mestres, de tamanha importância, que me permitiram chegar onde cheguei tecnicamente”. Em certo trecho da conversa, ele mesmo aborda o assunto: “Às vezes me perguntam se não vou me aposentar, mas para que vou fazer isso?”. Há uma leveza no tom de voz: “Não tenho outra atividade, pois não tenho consultório. Se me aposentar, vou ficar em casa olhando as tartarugas que temos. Mas tartarugas andam muito devagar...”.

Eu Sou o IEDE

1 – Porque você escolheu a Endocrinologia como especialidade?
A especialidade foi criada aqui, fomos nós que criamos. Então eu não escolhi, eu entrei nela quando da sua criação, encabeçada pelo Dr. Schermann.

2 – Cite um evento marcante pra você dentro da Endocrinologia. Explique o por quê.
Para mim, eventos marcantes são todos os congressos da especialidade, que reúnem os profissionais mais importantes da Endocrinolgia.

3 – Cite um endocrinologista que tenha influenciado sua carreira. Cite três coisas que você admira nesta pessoa e porque ela o influenciou.
Dr. José Schermann, primeiro pelo conhecimento que ele tinha; segundo, pela maneira de transmitir conhecimentos; terceiro, pela maneira de se relacionar com as pessoas. Ele não era sutil, era muito direto. Tenho grande admiração pelo interesse que ele tinha pela especialização, o que nos levou a segui-lo.

4 – Descreva o IEDE em uma frase.
O que define o Instituto é o espírito do IEDE.




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