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"MINHA CASA CIENTÍFICA, MINHA SEGUNDA FAMÍLIA"
Por Beth Santos

Talento, garra, otimismo e entusiasmo. Essas são algumas características da Dra. Carmen Assumpção, há quase 28 anos no Instituto. "Meu início no IEDE foi muito fértil, tal como os hormônios", afirma ao comentar que se viu grávida de gêmeas na época em que ia fazer residência no Instituto, em 1983. Para fugir dos plantões e dar mais atenção aos bebês, resolveu estudar na pós- -graduação (PUC-IEDE).

Aquele ano também foi fértil para várias colegas suas: "Eram oito residentes e sete cursistas. Logo depois nasceram cinco ou seis crianças, inclusive a da Claudia Mara Marcial, que fez faculdade comigo e continua sendo minha grande amiga e companheira, dentro e fora do IEDE. Era interessante que trocávamos vestidos de grávidas umas com as outras", lembra.

A Dra. Carmen também cita colegas mais próximos, que ainda encontra em congressos e eventos: José Antônio, Márcia Pinhão, Suzete, Dayse Caldas e Antonio Carlos Amorim. Isso sem falar da antiga companheira de Enfermaria, agora Chefe da Endocrinologia, Dra. Vera Leal.

Grande Sonhadora

"A Dra. Vera diz que eu sou uma grande sonhadora. Sou assim mesmo, mas vou atrás dos sonhos e tenho certeza que eles vão se concretizar", afirma ela, que já sonhava em ser médica, desde a infância. A então pequena Carmen ficava fascinada ao se consultar com sua pediatra, Dra Lúcia Tristão. "Aquela mulher era um ícone pra mim", comenta.

E acrescenta: "Quando me perguntavam o que iria ser quando crescer, falava – vou ser doutora! Penso que já vim com essa tarefa e acho que médico tem que ser assim mesmo, tem que ter tal inspiração porque, para lidar com o ser humano, tem que ser algo interior ou, sei lá, coisas de outras vidas", ressalta.

A Lua e as Estrelas

Ela conta que sua mãe a incentivou bastante para que seguisse a carreira médica, mesmo com as dificuldades de transporte e horário que a filha teve de enfrentar. "Eu morava em Campo Grande e estudava em Niterói. Acordava com a lua e as estrelas. E se minha mãe perdesse o horário para me acordar, minha tia – grande 'fada madrinha' – batia na minha "Minha Casa Científica, Minha Segunda Família" janela e ficava de olho no ônibus, que passava às 4h45m, enquanto eu tomava o café da manhã", recorda.

Com tanto tempo gasto entre casa e faculdade, quando ela estudava? Para resolver esse problema, Carmen contava a fila do ônibus de volta e só entrava com a certeza de que iria sentada, para poder estudar.

Perseverança

Depois a situação ficou mais complicada, devido ao gasto com as passagens e a perda de emprego de seu pai. Então ela, que havia feito o curso normal, foi dar aula em um supletivo à noite, após chegar da faculdade. Aliás, estudar e ensinar ocupam lugar de destaque na vida da Dra. Carmen.

"Tive o Título de Especialista pela Associação Médica Brasileira, mas, em 2004, começou uma história de que só podia fazer parte de algum cargo na SBEM quem tivesse o TEEM. Pensei: não seja por isso... fiz a prova e passei", comemora ela, que também fez Doutorado pela UERJ.

Segundo ela, a experiência como professora a ajudou muito no trabalho que realiza no Centro de Estudos, que, anteriormente, limitava-se às sessões clínicas do hospital. Ela acrescentou ações extramuros, sendo que uma vez promoveu uma Feira de Saúde na Central do Brasil.

Obesidade Infantil

Em seguida começou a trabalhar com a escola vizinha ao Instituto. O que descobriu? Que 15% das crianças estavam hipertensas, 10% obesas e 32% com sobrepeso. Daí surgiu o Ambulatório de Obesidade Infantil, coordenado por ela e que chamou a atenção da primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, quando acompanhou o marido em visita ao Brasil.

"Recebemos a comitiva da primeira dama dos Estados Unidos no Sheraton Hotel. Eles queriam saber como um hospital público tratava a obesidade infantil aqui no Brasil. Trocamos experiências e abriu-se um canal de comunicação. Ela achou ótima a nossa opção de internação de crianças que não estejam perdendo peso, no período de sete a dez dias, para que se descubra o que está acontecendo", conta.

Em sua trajetória no IEDE, trabalhou durante dez anos na Enfermaria, passou pelos ambulatórios de tireóide e endocrinologia feminina e ainda como voluntária no de diabetes. E o Centro de Estudos, onde atua há cerca de 7 anos, já tem espaço próprio.

Entre seus grandes mestres no Instituto, a Dra. Carmen destaca os doutores Luís Cesar Póvoa, Ricardo Meirelles, Raul Faria, Amanda Athayde, Rosa Rita, Arduíno e Bonacorsi.

Eu SOU O IEDE

1 – Por que você escolheu a Endocrinologia como especialidade?

Por causa de um módulo na faculdade que estava muito bem elaborado nas bases clínicas e existia uma motivação por parte dos professores em integrar os alunos com os pacientes, as sessões, as aulas. Era estimulante estudar os hormônios.

2 – Por que você escolheu o IEDE?

Por indicação dos nossos professores, por ser um mito e por descobrir, mais tarde, pelo Dr. Luís Cesar Póvoa, que existe o "espírito do IEDE".

3 – Cite um evento marcante pra você dentro da Endocrinologia. Explique o porquê.

. Nós, médicos, nos lembramos de casos complicados e que marcam a nossa vida. No IEDE, foi um caso de pseudo-hermafroditismo por déficit de 5 alfa redutase, que teve um final feliz .Também vi, ao longo dos anos, a melhora do tratamento nos pacientes que necessitam de GH; nos diabéticos, a melhora das insulinas e seus instrumentos de controle; o uso da metformina nos casos de RI, PCO e DM2; o controle de tumores hipofisários com drogas; os análogos para PB precoce e as doses individuais de hormônios para tratamento da menopausa. Também a acurácia das cirurgias hipofisárias, adrenais e de paratireoide.

4 – Descreva o IEDE em uma frase.

Minha casa científica, meu vício desde o início, minha segunda família.




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e Endocrinologia Luiz Capriglione (ASSEX - IEDE)
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