MARCADORES DE REABSORÇÃO ÓSSEA E GANHO DE MASSA ÓSSEA
Por Vera Leal
A osteoporose é uma doença osteometabólica
(DOM) freqüente nos consultórios
dos endocrinologistas. A aluna
Cristiane da R. Azevedo, sob orientação da Dra
Rosita Fontes, apresentou como monografia final
do Curso de Pós-graduação da PUC-RJ um
trabalho, com boa aplicação na prática clínica,
cujo resumo segue baixo.
Foram estudadas 41 pacientes do sexo feminino
em pós menopausa, com idade média
de 63,35 ± 9,7 anos, virgens de tratamento,
acompanhadas no Ambulatório de DOM do
IEDE, e que não tinham indicação para reposição
hormonal com estrogênios. O tratamento
era individualizado, levando-se em conta aspectos
bioquímicos, hormonais, idade da paciente,
aspectos econômicos e decisão do paciente.
Dezessete (17) pacientes tinham marcadores de
reabsorção óssea aumentados, sem outro fator
além do hipoestrogenismo, e foram tratadas
com 70 mg de Alendronato de Sódio por semana;
12 apresentavam deficiência de vitamina D, recebendo doses suplementares de vitamina
D (1.500 a 2.000 unidades/dia) e cálcio (500
a 1.500 mg/dia); 07 tinham hipercalciúria por
defeito tubular renal proximal perdedor de cálcio,
tendo sido compensadas com 25 a 37,5
mg/dia de hidroclorotiazida e, em 05, mais de
um desses fatores contribuía para a osteoporose,
necessitando de mais de um desses tratamentos.
A média do CTX pré-tratamento foi de
0,6429 ± 0,1723 ng/mL (valor de referência
0,025 a 0,573) e após o tratamento de 0,1850
± 0,1217 (p=0,0011). Essa queda do CTX
ocorreu, de modo significativo, em todas as
pacientes que ganharam massa óssea e não somente
naquelas que usaram o antirreabsortivo.
Houve também uma correlação negativa entre
o percentual de variação precoce do CTX e o
percentual de variação da massa óssea em L1-L4
e no fêmur total após 1 a 2 anos de tratamento
(r=0,46 [IC 95% - 0,7084 a -0,1286] e r=0,37
[IC 95% -0,6509 a -0,02227], respectivamente.
Neste grupo, a redução precoce de CTX após o início do tratamento se correlacionou
com aumento significativo posterior da densidade
óssea tanto em L1-L4 quanto em fêmur
total e foi de 64 ± 17% (IC 95% 52-82%). A
queda encontrada por nós, mais pronunciada
em comparação a de outros relatos, provavelmente
se deve ao fato da causa/alteração laboratorial
subjacente ter sido detectada em cada
paciente e à seleção do tratamento e não à instituição
de um tratamento único para estudo.
OBS: Aproveitamos o mote deste trabalho
para chamar a atenção para o fato que 16% das
pacientes deste grupo apresentavam hipercalciúria,
para as quais não é indicada a administração
de cálcio para tratamento. Diante de diagnóstico
de osteoporose é importante que se pesquise e
trate a alteração subjacente, não caindo no lugar
comum de partir para a prescrição de cálcio
ou antireabsortivo. Médicos do ambulatório de
DOM que colaboraram no atendimento das
pacientes do estudo: Maurício B. Lima, Rosita
Fontes, Joyce Cantoni e Fabiano Serfaty
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