PROTOCOLOS CLÍNICOS E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS NA
INVESTIGAÇÃO LABORATORIAL DA BAIXA ESTATURA
Por Vera Leal
O Ministério da Saúde (MS) repassa,
através dos gestores municipais e
estaduais, medicamentos dito excepcionais.
Para tanto, os médicos em seus consultórios
públicos ou privados devem seguir os
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas
(PCDT).
Neste ano de 2010, o MS revisou alguns
PCDT na área da Endocrinologia, encontrados
no site do MS, e devemos estar atentos a essas
modificações. Abaixo, algumas alterações referente
ao Hormônio do Crescimento:
• Quanto ao diagnóstico laboratorial, foi
acrescentada a dosagem do IGF-1 e valor
de referência de acordo com idade e sexo
(não há citação em relação à idade óssea).
• Os testes de estímulo provocativos foram
mantidos (insulina, clonidina, levodopa e
glucagon ). O teste de insulina não deve ser
realizado em crianças com história de convulsões,
cardiopatias ou menores de 20Kg.
• O Teste do exercício foi retirado do diagnóstico
laboratorial
• Foi mantido o “priming” com estrogênios
conjugados na dose de 1,25 mg/m2 via oral,
3 doses, administradas 72, 48 e 24 horas antes
da realização do teste, em meninas com
idade a partir de 8 anos e estágio puberal
abaixo de M3 e P3 de Tanner. Os meninos
com idade a partir de 9 anos e estágio puberal
abaixo de P3, deve ser realizado com cipionato
de testosterona 50 mg IM, em 2
doses, administradas 16 dias e 48h antes da
realização do teste,
• O ponto de corte foi alterado para < 5ng/
ml, em ensaio por quimioluminescência ou
imunofluorimetria. Assim, de uma certa
maneira, dificultou-se mais a liberação no
fornecimento de GH.
• As curvas de crescimento encontram-se no
site da OMS www.cdc.gov/growthcharts.
Por Yolanda Schrank, Joyce Cantoni, Rosita Fontes
TESTE DE ESTÍMULO COM GLUCAGON REVISITADO
O teste de estímulo com glucagon é útil
na avaliação do eixo somatotrófico
e corticotrófico. Algumas vantagens
deste em relação à maioria dos demais testes
são: poucos efeitos colaterais; seguro e bem
tolerado mesmo em pacientes com hipopituitarismo
e em crianças muito pequenas; facilidade
na administração; não há necessidade
de manter um acesso venoso durante o teste;
e possibilita testar, simultaneamente, os eixos
somatotrófico e corticotrófico.
Permanece obscuro o mecanismo pelo
qual o glucagon estimula a liberação tanto do
GH como do ACTH. Sabe-se, no entanto,
que não se deve à hipoglicemia reativa, uma
vez que o pico de estímulo do GH ocorre
entre os tempos 90 e 120 minutos e o pico do
cortisol entre os tempos 150 e 180 minutos,
enquanto a hipoglicemia, por outro lado, é
tardia, ocorrendo habitualmente depois da
terceira hora. No caso do GH, o mecanismo
estimulatório mais provável parece ocorrer
através da inibição na liberação da somatostatina,
mas um estímulo mediado pelo
aumento dos ácidos graxos livres e até mesmo
uma estimulação noradrenérgica induzida
pelo glucagon tem sido postulada. Já os mecanismos
envolvidos na estimulação do eixo
corticotrófico são ainda menos bem esclarecidos.
Alguns estudos demonstraram que
a administração IM de glucagon apresenta
efeito estimulatório sobre o ACTH e cortisol
tão potente como o (CRH) e mais potente
que a vasopressina (AVP), dois importantes
hormônios estimulatórios do eixo corticotrófico.
Sabe-se, entretanto, que o glucagon
“per se” não funciona como secretagogo de
GH e ACTH, uma vez que o estímulo ocorre
somente após a utilização IM ou SC e não
após administração endovenosa da medicação.
Tem se hipotetizado que a proteólise
do glucagon IM possa gerar um fragmento
peptídico com atividade secretagoga destes
hormônios.
Uma limitação deste teste é o fato de ser
demorado - em geral, coletas de 30’ em 30’ até
o tempo 180 ou mesmo até 210 minutos. No
intuito de rever a real necessidade de coleta nestes
tempos, revisamos os resultados de pacientes
de uma das regionais da DASA e do Instituto
Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE)
submetidos tanto ao teste de estímulo do GH
como do cortisol após glucagon.
GH após glucagon
GH APÓS GLUCAGON
Trinta e um pacientes com idade de 7,8
± 3,7 foram submetidos ao teste de estímulo
do GH com glucagon com dosagens
nos tempos Basal, 90, 120, 150, 180 e 210
minutos. Destes, 21 alcançaram níveis de GH
iguais ou maiores que 7 ng/mL, pelo método
ICMA, entre os tempos 90’ e 150’.
Nossos dados mostraram que o teste de
estímulo com glucagon representa uma excelente
opção na avaliação tanto do eixo somatotrófico
como corticotrófico, uma vez que
consiste em teste robusto, simples, seguro e
bem tolerado. A aparente desvantagem quanto
a ser demorado (3 horas ou mais horas), não
se confirma. Nesse intuito, propomos a simplificação
do teste através da coleta do GH e
cortisol nos tempos 90, 120 e 150 minutos
como ideal para o diagnóstico do médico
aliado ao conforto para o paciente, o mesmo
sendo referido por outros estudos. Destacamos
ainda que a coleta do sangue basal pode ser
dispensada uma vez que não há necessidade
de manutenção de acesso venoso. O glucagon
é administrado via sub-cutânea ou intramuscular
e o critério utilizado para caracterizar a
resposta ao estímulo consiste na análise dos
níveis absolutos de GH e de cortisol através de
pontos de corte pré-determinados.
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